Fúria do vulcão Anak Krakatau paralisa céus e deixa 340 mil retidos na Indonésia enquanto país segue em alerta

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A Indonésia autorizou a reabertura de cinco aeroportos após a meia-noite de terça-feira, encerrando dois dias de paralisação provocados pela intensa erupção do vulcão Anak Krakatau. O fenômeno começou no final da sexta-feira, lançando fontes de lava e colunas de cinzas vulcânicas sobre a província de Lampung e a capital Jacarta, além de manter a atividade sísmica elevada ao longo de todo o fim de semana. O Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta foi o primeiro a interromper os voos no domingo e só voltou a operar às 00h30 de terça-feira (18h30 GMT).

Caos no ar e sagões lotados

A interrupção prolongada afetou quase 3.000 voos e deixou mais de 340.000 passageiros retidos. Nos saguões de embarque de Jacarta, formaram-se filas enormes com passageiros em busca de informações e reembolsos. Entre os afetados estava Finna, de 46 anos, que tentava retornar de Malang. Diante de sucessivos reagendamentos e do acúmulo de passageiros, ela optou por fazer o trajeto em dois trens interurbanos para escapar da incerteza. Jo Shaw, da organização Save the Rhino International, cancelou um acampamento no Parque Nacional de Ujung Kulon após a elevação do nível de alerta, optando por permanecer em um hotel próximo ao aeroporto. Outro caso dramático foi o de um casal de recém-casados da Malásia, avisado de que o próximo voo só ocorreria em 11 de setembro, extrapolando totalmente o orçamento planejado para a viagem.

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Alerta permanente e riscos à navegação

A Agência Geológica da Indonésia alertou que a probabilidade de novas erupções continua alta nos próximos dias. Segundo a agência meteorológica BMKG, a pluma de cinzas atingiu 6.000 metros de altitude do lado de Java e até 15.000 metros do lado de Sumatra. Diante do cenário imprevisível, o Ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, explicou que testes têm sido realizados a cada 30 minutos nos aeroportos para monitorar a dispersão do material. As autoridades estabeleceram um raio de exclusão de 3 km ao redor da cratera para atividades humanas e navegação no Estreito de Sunda, garantindo, por outro lado, que não há alertas de tsunami associados ao evento recente.

O histórico do “filho de Krakatoa”

Localizado no Estreito de Sunda, o Anak Krakatau emergiu no início do século passado sobre a caldeira gerada pela catastrófica erupção do Monte Krakatoa em 1883. O vulcão possui um histórico recente de destruição: em dezembro de 2018, um colapso em sua estrutura deslizou blocos de rocha de até 90 metros de altura para o mar, gerando um tsunami que matou mais de 400 pessoas. O país integra o Anel de Fogo do Pacífico, uma faixa de 40.000 km que abriga 75% dos vulcões ativos do planeta e onde ocorrem cerca de 90% dos tremores de terra do mundo.

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