Flávio Bolsonaro avalia lançar Nikolas Ferreira ao Governo de Minas Gerais, dizem aliados
O cenário político para 2026 começa a se desenhar com movimentações estratégicas nos bastidores. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, estuda lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na disputa pelo Governo de Minas Gerais. A articulação busca consolidar uma aliança robusta com partidos do centrão, especificamente a federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), visando garantir um palanque sólido no segundo maior colégio eleitoral do país.
O fator Zema e a sucessão estadual
A viabilidade da candidatura de Nikolas está intrinsecamente ligada aos movimentos do atual governador Romeu Zema (Novo). Zema é visto como o nome preferencial para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. No entanto, o atual cenário apresenta um impasse: o vice-governador mineiro, Matheus Simões (PSD), também é pré-candidato ao governo estadual e já declarou fidelidade ao projeto presidencial de Zema.
Essa configuração gera receio na cúpula do PL, que teme ficar sem um representante competitivo que priorize a campanha de Flávio em solo mineiro.
Resistência interna e missão partidária
Apesar do entusiasmo da legenda, o maior desafio reside no convencimento do próprio Nikolas Ferreira. Em ocasiões anteriores, o parlamentar demonstrou falta de interesse em cargos do Executivo, tendo inclusive recusado convites formais no último ano.
Contudo, interlocutores de Flávio Bolsonaro acreditam que a importância estratégica de Minas Gerais pode mudar esse posicionamento. O estado é historicamente conhecido por ser o fiel da balança nas eleições nacionais, e o PL enxerga em Nikolas um fenômeno de mobilização capaz de assegurar votos essenciais para a sigla.
O peso das urnas e o capital digital
A aposta no deputado mineiro baseia-se em seu desempenho histórico nas urnas e sua influência nas redes sociais. Nikolas foi o parlamentar mais votado do país em 2022, ultrapassando a marca de 1,4 milhão de votos, e o partido projeta que ele possa superar os 2 milhões em 2026.
Sua capacidade de atrair multidões, evidenciada em recentes manifestações em Brasília, é vista como o trunfo necessário para enfrentar a máquina estadual. Caso a negativa de Nikolas se mantenha, o grupo avalia alternativas, incluindo o senador Cleitinho (Republicanos), embora este ainda precise alinhar arestas com a família Bolsonaro.
Reações na cúpula da campanha
Oficialmente, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro adota um tom de cautela. O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou desconhecer negociações formais em curso, mas não poupou elogios ao colega de partido.
Segundo Marinho, Nikolas é um nome qualificado que contará com total respaldo da legenda caso decida ingressar na disputa majoritária. O foco do PL agora é exaurir as tentativas de convencimento antes de buscar uma via alternativa para o governo mineiro.


