EUA sinalizam possível intervenção direta no Irã após operação contra Maduro

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A recente operação militar dos Estados Unidos que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela está provocando ondas de choque na geopolítica do Oriente Médio. De acordo com informações obtidas pelo Jerusalem Post, o governo americano e as autoridades de Israel estão recalculando suas estratégias em relação ao Irã, avaliando se o modelo de intervenção aplicado na América Latina pode ser replicado para derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei.

Até então, a percepção dominante em Tel Aviv e Washington era de que os protestos populares em solo iraniano ainda careciam de força suficiente para uma mudança de regime autônoma. No entanto, o “fator Trump” em Caracas alterou essa visão, sugerindo que uma pressão externa cirúrgica pode ser o catalisador que faltava.

O papel de Israel e a atuação no campo

A postura de Israel em relação aos dissidentes iranianos tornou-se significativamente mais assertiva. Em um movimento incomum, o Mossad utilizou redes sociais para sinalizar apoio direto aos manifestantes em território iraniano, o que levou Teerã a anunciar a prisão de supostos agentes infiltrados.

Esse novo posicionamento é reforçado por vozes influentes no governo israelense, como a da ministra Gila Gamliel, que defende publicamente que o mundo não deve se limitar a palavras de solidariedade, mas sim adotar ações concretas para apoiar as aspirações de liberdade do povo iraniano. Para Gamliel, o apoio externo é fundamental para preparar o terreno para o fim de regimes baseados no medo.

Novas estratégias militares e a pressão de Tel Aviv

A cúpula de segurança de Israel, liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, intensificou as discussões estratégicas logo após os eventos na Venezuela. O debate interno ganhou força com declarações de figuras como o ex-ministro da Defesa Benny Gantz, que instou abertamente uma intervenção conjunta entre Israel e Estados Unidos para forçar a capitulação ou a queda do regime iraniano.

Essa postura marca uma ruptura com o consenso de meados de 2025, quando o foco ocidental estava restrito à contenção do programa nuclear, sem o objetivo explícito de derrubar o governo. A rapidez e a eficácia da ação americana na Venezuela, que dispensou uma invasão terrestre de grande escala, provaram que o uso limitado da força pode ser um instrumento político viável.

Incertezas e o futuro do movimento de protesto

Apesar da mudança no clima diplomático, Washington e Tel Aviv ainda operam em um terreno de cautela. O governo de Donald Trump ainda avalia as consequências de longo prazo da saída de Maduro antes de dar o próximo passo em direção ao Irã.

A principal hipótese em estudo é o uso de ameaças críveis ou intervenções militares pontuais para impedir que o regime de Khamenei utilize força letal contra seus próprios cidadãos, permitindo assim que o movimento de resistência interna cresça organicamente. Pela primeira vez em anos, a inteligência internacional parece acreditar que uma assistência externa estratégica pode, de fato, viabilizar a queda do regime sem a necessidade de um conflito total.

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