EUA lançam ataques aéreos em grande escala contra o Irã; Teerã responde com mísseis nos países do Golfo e fecha Ormuz

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O cenário geopolítico no Oriente Médio voltou a se deteriorar drasticamente após o Irã anunciar, neste domingo, o fechamento do Estreito de Ormuz. A decisão encerra, na prática, um memorando de entendimento firmado há apenas um mês entre Teerã e Washington, que tinha como objetivo restaurar a navegação comercial e abrir caminho para um processo de paz mais abrangente. A medida foi tomada após seis dias de intensas hostilidades militares, marcadas por trocas de bombardeios entre as forças iranianas e americanas.

Operações militares e ataques aéreos

A escalada começou quando a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atacou um navio porta-contentores com bandeira cipriota, alegando que a embarcação desrespeitou instruções de rota. Em represália, o Comando Central dos EUA realizou uma operação contra 140 alvos militares iranianos, incluindo instalações de mísseis, drones, infraestrutura naval e sistemas de comunicação. O objetivo, segundo o Pentágono, foi degradar a capacidade iraniana de ameaçar embarcações civis.

Em resposta, o Irã expandiu o conflito com ataques de mísseis e drones contra bases americanas em diversos países árabes, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Bahrein e Omã. Um dos pontos mais críticos foi o ataque ao porto de Duqm, em Omã, que o Irã classificou como um centro logístico para as forças navais dos EUA. O incidente ocorreu logo após o governo omanita receber uma delegação iraniana para tratar da segurança na região, gerando forte condenação por parte do sultanato.

Diplomacia sob fogo cruzado

Os esforços diplomáticos para conter a crise enfrentam obstáculos severos. Embora houvesse tentativas de mediação com o apoio de países como Catar e Paquistão, a retórica belicosa de ambos os lados tem superado os canais de diálogo. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, reiterou a promessa de vingança pela morte de seu pai, enquanto o presidente americano Donald Trump emitiu alertas contundentes, ameaçando uma resposta militar devastadora caso o governo iraniano tente realizar atentados contra autoridades americanas.

Apesar da tensão elevada, o mercado de petróleo mostra uma reação contida, com o barril de Brent negociado próximo a US$ 75. Analistas sugerem que os investidores ainda precificam a disposição de ambas as partes em evitar uma guerra de grande escala, apesar da instabilidade contínua. Enquanto o Comando Central dos EUA sustenta que navios seguem transitando pelo estreito pela rota sul, Teerã mantém a postura de que a via estratégica permanecerá fechada até que a influência militar americana na região seja cessada, evidenciando as profundas divisões internas no regime iraniano entre a diplomacia e a ala linha-dura.

Foto: AP

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