EUA e Irã iniciam negociações em Genebra em meio a incertezas sob nível máximo de tensão
Uma nova fase de negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irã tem início nesta quinta-feira, em Genebra, na Suíça. Este terceiro encontro ocorre em um cenário de dualidade estratégica: enquanto ambas as nações reafirmam o interesse em uma saída diplomática, o governo de Donald Trump intensifica a pressão econômica com novos pacotes de sanções e amplia a movimentação militar em solo no Oriente Médio.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, já se encontra em solo suíço, onde iniciou diálogos preliminares com o mediador do encontro, o ministro omanita Badr bin Hamad Al Busaidi. Pela ala americana, a representação cabe ao enviado especial Steve Witkoff e a Jared Kushner, reforçando o caráter prioritário do tema para a Casa Branca.
Pauta nuclear e o papel da AIEA
A delegação de Teerã, por meio de seu porta-voz Esmail Baghaei, detalhou que as propostas iranianas permanecem firmes na defesa dos direitos nucleares do país e na exigência pelo fim das sanções econômicas. O diálogo conta ainda com a presença estratégica de Rafael Mariano Grossi, Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deve monitorar a viabilidade técnica das concessões discutidas.
O histórico recente dessas conversas traz um otimismo cauteloso; após o primeiro encontro em Mascate e a segunda rodada em Genebra, o presidente Trump chegou a sinalizar que o Irã demonstrava real interesse em um acordo, enquanto Araghchi mencionou progressos significativos.
O impasse entre enriquecimento e sanções
Apesar dos avanços retóricos, o núcleo do conflito permanece no destino do programa de enriquecimento de urânio. O Irã defende o uso da tecnologia para fins pacíficos e propõe reduzir seu estoque de urânio enriquecido a 60% como prova de boa fé em troca do alívio econômico.
Em contrapartida, Washington mantém uma linha dura, exigindo a suspensão total do enriquecimento e a retirada de todo o material processado do território iraniano, por considerar a tecnologia um caminho curto para a produção de armamento nuclear.
Além da questão atômica, os EUA buscam impor limites ao arsenal de mísseis de longo alcance de Teerã e demandam mudanças na postura geopolítica do país em relação aos seus aliados regionais.