EUA e Irã avançam para acordo de paz: Memorando de 14 pontos prevê fim de bloqueios e controle nuclear
Os Estados Unidos e o Irã encontram-se em um estágio avançado para a assinatura de um memorando de entendimento que visa encerrar o conflito armado iniciado em fevereiro. De acordo com informações obtidas pela Reuters junto a fontes diplomáticas paquistanesas e confirmadas por autoridades americanas ao portal Axios, as partes trabalham na finalização de um documento de uma página que estabelece as bases para uma paz duradoura. O governo do Paquistão, que atua como mediador, indicou que a conclusão do acordo é iminente e foca em garantir o encerramento permanente do confronto.
Termos do memorando e prazos decisivos
A proposta estruturada em 14 pontos centrais prevê o cessar imediato das hostilidades e a abertura de uma janela de 30 dias para negociações formais. O governo dos EUA aguarda uma resposta oficial de Teerã nas próximas 48 horas. Enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou à CNBC que o texto está sob avaliação, a agência semioficial Tasnim reportou que a proposta ainda enfrenta resistência interna, sendo descrita por alguns setores iranianos como “inaceitável” ou meramente propagandística.
Concessões mútuas e segurança nuclear
O cerne do acordo envolve a liberdade de navegação e o controle nuclear. Segundo o detalhamento do Axios, ambos os países concordariam em suspender os bloqueios recíprocos no Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio global de energia. Em contrapartida, os EUA removeriam sanções econômicas, enquanto o Irã assumiria o compromisso de uma moratória de 15 anos no enriquecimento de urânio. Além disso, Teerã concordaria em transferir seu estoque de urânio altamente enriquecido para o exterior, possivelmente para território americano.
Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu iniciou consultas de emergência com altos funcionários do governo para monitorar os desdobramentos. Fontes israelenses indicaram que o progresso nas conversas não foi uma surpresa para o gabinete de segurança. As negociações, que ocorrem por canais diretos e indiretos, contam com a participação de Steve Whitkoff e Jared Kushner pela equipe americana, com Genebra ou Islamabad sendo cogitadas como sedes para os próximos encontros presenciais.
Desafios diplomáticos e ceticismo
Apesar do otimismo de alguns mediadores, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, manteve um tom cauteloso, classificando as tratativas como “complexas e técnicas”. Rubio enfatizou a necessidade de clareza sobre as concessões iranianas antes de qualquer assinatura definitiva. No Irã, a recepção é mista: enquanto diplomatas analisam o documento, vozes ligadas ao governo sugerem que a lista de exigências americana se aproxima mais de uma “lista de desejos” do que de uma realidade negociável, evidenciando que, embora as partes estejam próximas, o consenso final ainda depende da superação de barreiras ideológicas e técnicas.