EUA apreendem petroleiro russo no Atlântico em operação de alto risco com escolta de submarino; vídeo

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Em uma demonstração de força que eleva drasticamente a tensão entre Washington e o Kremlin, os Estados Unidos apreenderam o petroleiro de bandeira russa Marinera em águas internacionais do Oceano Atlântico. A operação, coordenada pelo Comando Europeu dos EUA e executada pela Guarda Costeira (USCGC Munro), encerra uma perseguição dramática de duas semanas.

O incidente ocorre em um momento diplomático sensível, logo após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA e em meio a complexas negociações sobre o conflito na Ucrânia.

O Marinera, anteriormente identificado como Bella 1, foi interceptado no Atlântico Norte, entre a Islândia e o Reino Unido, cumprindo um mandado de um tribunal federal americano. Relatos indicam que a abordagem foi realizada por helicópteros e embarcações da Guarda Costeira, sem registro de resistência física, apesar de Moscou ter enviado um submarino para escoltar o navio, o que gerou um impasse silencioso nas profundezas do oceano.

Disputa legal e acusações de pirataria moderna

A reação russa foi imediata e severa. O Ministério dos Transportes da Rússia denunciou a ação como uma violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, argumentando que nenhum Estado possui autoridade para usar força contra navios registrados em outras jurisdições em águas internacionais. O governo russo confirmou a perda de contato com a embarcação e exigiu garantias de tratamento digno e o retorno célere dos tripulantes ao seu país de origem.

Por outro lado, Washington justifica a ação como parte do “bloqueio total” imposto por Donald Trump contra ativos ligados ao regime venezuelano e à frota clandestina que contorna sanções internacionais.

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, reforçou que o bloqueio ao petróleo sancionado permanece em “pleno vigor” globalmente. O Marinera é suspeito de integrar a “frota paralela” que transporta cargas ilícitas para o Irã, Venezuela e grupos como o Hezbollah.

Captura de tela de um vídeo divulgado pela mídia estatal russa que supostamente mostra um helicóptero americano se aproximando do Marinera na quarta-feira. Fotografia: X
Estratégias de evasão e o papel do Reino Unido

A operação contou com suporte logístico e de inteligência do Reino Unido. Nas horas que antecederam a abordagem, aeronaves de vigilância britânicas e americanas, incluindo modelos P-8 Poseidon especializados em detecção de submarinos, monitoraram a região. A trajetória do Marinera foi considerada atípica por especialistas: após tentar burlar o bloqueio no Caribe e falhar, o navio mudou de curso abruptamente em direção ao norte da Europa, evitando rotas tradicionais como o Canal da Mancha e buscando refúgio no isolamento do Atlântico Norte.

O petroleiro já havia repelido uma tentativa de abordagem em dezembro, quando ainda operava sob o nome Bella 1. Em uma manobra estratégica, Moscou renomeou a embarcação, pintou a bandeira russa em seu casco e a incluiu no registro naval oficial da Rússia, tentando conferir-lhe imunidade soberana — uma tática que, segundo analistas militares, agora coloca o Kremlin em uma posição delicada.

Precedente perigoso para a “frota paralela”

A apreensão do Marinera é vista por analistas como um divisor de águas. Mikhail Zvinchuk, blogueiro militar ligado ao Ministério da Defesa da Rússia, alertou que este evento abre um precedente perigoso para futuras interceptações da frota russa em qualquer lugar do mundo. Dados indicam que Moscou tem registrado sob sua bandeira diversos navios que operam em zonas de sanções, tentando criar um escudo jurídico contra a pressão americana.

Embora relatos iniciais indiquem que o petroleiro estava vazio no momento da captura, o esforço militar despendido por ambos os lados revela que a disputa vai muito além da carga.

Trata-se de um teste de soberania e de limites do poder naval que pode ditar o tom das relações entre Trump e Putin nos próximos meses, especialmente com a crescente frustração de Washington sobre a postura russa em frentes de conflito globais.

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