Especialista americano, diz que Trump poderá influenciar eleições no Brasil

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A recente operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro marca apenas o início de uma postura mais assertiva de Donald Trump na América Latina. Segundo Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, em entrevista à BBC Brasil, o objetivo central de Washington não é a restauração democrática, mas a transformação da Venezuela em uma “colônia econômica”.

O foco principal seria o controle das vastas reservas de petróleo por empresas norte-americanas, consolidando uma relação de dependência em que o regime político interno — mesmo que mantenha características da ditadura chavista — torna-se secundário aos interesses comerciais dos Estados Unidos.

Traição Interna e a Escolha de Interlocutores

A análise de Langer sugere que a captura de Maduro não foi um esforço isolado dos EUA, mas o resultado de um acordo com figuras do alto escalão do próprio chavismo. Nomes como Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello teriam traído o ex-presidente para preservar o próprio poder.

Nesse cenário, a escolha de Washington por apoiar a permanência de Rodríguez, em vez de viabilizar a ascensão da líder opositora María Corina Machado, seria estratégica: enquanto María Corina possui legitimidade popular e autonomia, a cúpula chavista remanescente é considerada mais “manipulável” e dependente do suporte externo para sobreviver.

Pressão sobre o México e Isolamento de Cuba

O reflexo das ações de Trump deve se estender rapidamente para o restante do Caribe. O especialista prevê um endurecimento significativo contra Cuba, buscando o “estrangulamento” definitivo da economia da ilha. Para isso, o governo americano deve exercer forte pressão diplomática e econômica sobre a presidente do México, Claudia Sheinbaum, visando interromper o fornecimento de petróleo mexicano que hoje supre as carências deixadas pela crise venezuelana. A ideia seria isolar o regime comunista ao máximo, cortando suas poucas linhas de auxílio regional.

O Papel do Brasil como Contrapeso Regional

No cenário sul-americano, o Brasil emerge como a principal barreira contra o expansionismo da “Doutrina Trump”. Embora o país não tenha conseguido impedir a intervenção na Venezuela, Langer destaca que o Brasil possui um peso geopolítico que obriga Washington a uma abordagem diferenciada.

O professor acredita que haverá tentativas de influência americana nas eleições brasileiras de 2026, mas adverte que tal interferência pode gerar um efeito reverso. O sentimento nacionalista brasileiro tende a reagir negativamente a pressões externas, o que poderia, ironicamente, prejudicar os candidatos da direita alinhados a Trump e fortalecer lideranças que defendem a soberania nacional.

Reconfiguração da Ordem Global e o fator China

A intervenção na Venezuela é vista como o primeiro passo de um novo desenho geopolítico mundial, onde Trump busca consolidar o hemisfério ocidental como sua esfera de influência exclusiva, assemelhando-se a uma versão moderna da Doutrina Monroe.

No entanto, essa ambição esbarra nos interesses da China, que é hoje o principal parceiro comercial de grande parte da América Latina e possui investimentos diretos no setor petrolífero venezuelano. O desenrolar dessa crise definirá se Pequim aceitará a hegemonia americana na região em troca de concessões em outras áreas, como Taiwan, ou se haverá um confronto direto pelos recursos econômicos do continente.

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