Em evento com mulheres, Flávio Bolsonaro crava: “Vice da minha chapa será uma mulher” e garante que não privatizará o SUS
Durante sua participação no evento “Brasil de Ideias Mulher – Especial Eleição”, realizado pelo Grupo Voto em São Paulo nesta segunda-feira (8), o senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, revelou os bastidores da construção de sua chapa. Diante de uma plateia majoritariamente feminina, o parlamentar afirmou que o prazo legal para o anúncio de seu candidato a vice-presidente se estende até o dia 14 de agosto. Contudo, ele aproveitou o cenário para fazer um aceno estratégico ao eleitorado feminino, indicando que o posto deverá ser ocupado por uma mulher com perfil preparado, de bem e que venha para complementar a sua candidatura.
No início do seu pronunciamento, Flávio buscou blindar o legado familiar ao fazer uma defesa enfática do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pré-candidato argumentou que o pai foi alvo de narrativas injustas ao longo do mandato e assegurou que ele nunca adotou uma postura contrária às mulheres. O tom de conciliação, no entanto, foi testado durante o bloco de perguntas e respostas, quando uma das participantes confrontou o senador, apontando que, caso a gestão anterior tenha realizado ações em prol do público feminino, falhou gravemente na estratégia de divulgação. A interlocutora pontuou que a comunicação institucional nunca foi o forte daquele governo.
Choque de gerações e abertura ao diálogo
O parlamentar não apenas concordou com a crítica da participante, mas expandiu a análise ao admitir que a falta de eficiência na comunicação foi um problema generalizado da gestão de Jair Bolsonaro, afetando o diálogo com a sociedade como um todo. Para justificar o estilo do ex-presidente, Flávio explicou que o pai pertence a uma outra geração e possui um perfil mais rústico. Em contrapartida, buscou se posicionar como uma liderança de mentalidade mais contemporânea, mencionando o fato de ser pai de duas filhas e reforçando seu compromisso em protegê-las. Ele também fez questão de se declarar aberto ao diálogo e à interlocução constante com a imprensa.
Quando questionado sobre as diretrizes econômicas de um eventual governo, o pré-candidato optou pela cautela e evitou dar pistas sobre quem assumiria o Ministério da Fazenda. Flávio argumentou que fará a revelação no momento oportuno, relembrando o cenário de 2018, quando seu pai precisou antecipar a nomeação de Paulo Guedes para acalmar o mercado financeiro diante das incertezas da época. Ao longo do evento, o senador concentrou grande parte de seu discurso na comparação política, alternando entre a exaltação das medidas adotadas na gestão do pai e duras críticas à atual administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Privatizações e o futuro do SUS
Na agenda econômica, o representante do PL defendeu de forma contundente a privatização de empresas estatais que, segundo sua avaliação, perderam a capacidade de autossustentação financeira. Como exemplo dessa necessidade, Flávio citou os Correios, destacando que a empresa pública vem acumulando prejuízos recorrentes mesmo detendo o monopólio do serviço postal no país.
Por outro lado, o pré-candidato estabeleceu um limite claro para as desestatizações ao rechaçar qualquer possibilidade de repassar o Sistema Único de Saúde à iniciativa privada. Ele classificou os boatos sobre a venda da rede pública de saúde como uma falsa narrativa da oposição. Ao encerrar sua participação, Flávio defendeu a manutenção do modelo público, elogiando a grande capilaridade do SUS e ressaltando que a estrutura de saúde brasileira é vista como um exemplo copiado por diversas nações.