Eduardo Bolsonaro revela bastidores da tática para tirar Flávio do Brasil
Em transmissão ao vivo realizada nesta terça-feira (3), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) detalhou os bastidores da viagem de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para os Estados Unidos. O parlamentar classificou o deslocamento como uma das operações de logística política mais complexas da história recente da América Latina, afirmando que a rota contou com estratégias para despistar as autoridades brasileiras e com o suporte de contatos na Argentina.
Críticas ao STF e brecha em decisão judicial
Durante a transmissão, Eduardo direcionou severas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a versão apresentada pelo deputado, o prazo de 24 horas concedido por Moraes para a entrega voluntária do passaporte de Flávio — em vez de uma ordem imediata de busca e apreensão da Polícia Federal — criou a janela de tempo necessária para a organização da viagem.
O parlamentar sustentou que a retenção do documento do irmão teria sido motivada por uma declaração dada por ele próprio à imprensa norte-americana antes do período eleitoral, quando mencionou que deixaria o país caso perdesse o pleito. Eduardo definiu a contagem regressiva para a entrega do documento como uma corrida contra o tempo, ressaltando que a decisão judicial acabou abrindo o caminho para a saída do senador.
Apoio na fronteira e rotas alternativas
Ao detalhar a logística, o deputado destacou o apoio do parlamentar provincial argentino Agustín Romo na fronteira sul. Eduardo revelou que diversas opções de saída foram avaliadas diante da extensão territorial brasileira e do monitoramento das autoridades, incluindo trajetos por Roraima com direção à Venezuela, além de passagens pela Bolívia, Paraguai e Argentina.
A mobilização de uma aeronave na região de Puerto Iguazú teria servido como ponto central da tática para desorientar a imprensa e a fiscalização. De acordo com o relato, a permanência do avião na área fronteiriça atraiu a atenção de veículos internacionais como a Reuters e o Washington Post, permitindo que a rota definitiva rumo aos Estados Unidos fosse concluída sem a identificação precisa do trajeto na ocasião.
Repercussão e ausência de comprovação
As declarações de Eduardo Bolsonaro foram apresentadas exclusivamente sob a sua ótica durante a transmissão, sem a exibição de documentos ou provas independentes que confirmem a sequência exata de eventos, a participação de terceiros ou os bastidores da decisão judicial. As alegações somam-se aos desdobramentos políticos e jurídicos em torno da ida de Flávio Bolsonaro ao exterior e às medidas cautelares em andamento no STF.