Como o Irã planeja revidar aos EUA e incendiar o Oriente Médio
A possibilidade de uma resposta militar do Irã contra os Estados Unidos em 2026 desenha um cenário muito mais alarmante do que os confrontos anteriores registrados durante o governo de Donald Trump. Especialistas consultados pela Newsweek indicam que, ao contrário de episódios passados,
Teerã enfrenta agora uma crise interna que ameaça a própria sobrevivência do clero governante. Esse fator de instabilidade doméstica transforma qualquer intervenção externa em uma questão existencial, o que pode levar o regime a abandonar a cautela demonstrada em crises precedentes.
O alerta nas bases americanas e a mudança de postura
A vulnerabilidade das forças dos EUA ficou evidente na última quarta-feira, quando o pessoal da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, recebeu ordens de evacuação. A instalação, que é o maior reduto militar americano na região, já havia sido alvo de Teerã em junho de 2025, após ataques dos EUA contra complexos nucleares iranianos.
Rosemary Kelanic, do think tank Defense Priorities, observa que a contenção iraniana vista há sete meses dificilmente se repetirá se o objetivo de Washington for a queda do regime. Para a analista, o nível de ameaça atual é sem precedentes, alterando drasticamente o cálculo estratégico de Teerã.

Riscos estratégicos para as tropas na região
A presença militar dos EUA no Oriente Médio coloca cerca de 40.000 soldados em uma linha de fogo direta. Jon Hoffman, pesquisador do Instituto Cato, alerta que o Irã precisa sinalizar que incursões estrangeiras em seu território não serão toleradas como rotina.
Caso os EUA avancem com novas operações militares, o risco de um conflito prolongado aumenta substancialmente, especialmente considerando que as tropas americanas estão dispersas por mais de 60 instalações, muitas delas com defesas limitadas. Além disso, a capacidade de coordenação do CENTCOM no Catar e as bases no Iraque, Bahrein e Emirados Árabes tornam-se alvos primários em uma eventual chuva de mísseis balísticos.
Táticas assimétricas e a doutrina de defesa preventiva
Para além do confronto direto, o Irã possui ferramentas de guerra híbrida que podem elevar o custo para Washington sem necessariamente iniciar uma guerra total imediata. O uso de milícias aliadas no Iraque e na Síria permite que Teerã realize ataques com negação plausível, atingindo interesses americanos por meio de atores locais. No campo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz permanece como a “opção nuclear” financeira, capaz de paralisar 20% do comércio global de energia. Recentemente, uma mudança na doutrina do Conselho Supremo de Defesa Nacional do Irã indicou que o país pode adotar ataques preventivos diante de sinais de ameaça, abandonando sua postura puramente reativa.
Incertezas sobre a eficácia de uma intervenção
Embora Israel e fontes ligadas ao governo Trump indiquem que a decisão de intervir já foi tomada, a eficácia de tais medidas é questionada por analistas como Ameneh Mehvar, da ACLED. Ela argumenta que ataques aéreos ou pressões simbólicas raramente resultam em mudança de regime a curto prazo e podem, inversamente, unir o país contra um inimigo externo. O cenário permanece altamente volátil: uma resposta ponderada de Teerã para salvar as aparências ainda é possível, mas o risco de ataques contra Israel e infraestruturas energéticas no Golfo coloca o mundo em alerta para uma escalada imprevisível.


