Cometa três vezes maior que Manhattan sofre erupção violenta e cria espiral que deixa cientistas sem resposta
Novas imagens astronômicas revelaram um espetáculo raro nas profundezas do nosso sistema solar. O cometa 29P/Schwassmann-Wachmann, um gigante de gelo com 60 quilômetros de diâmetro, transformou-se em uma impressionante espiral de luz que remete a formas fósseis após sofrer uma de suas erupções mais potentes das últimas décadas.
O fenômeno, capturado por astrofotógrafos no Chile e nos Estados Unidos, reforça o status enigmático deste objeto celeste, que se comporta de maneira distinta da maioria dos cometas conhecidos.
A anatomia de um gigante criovulcânico
Diferente dos cometas convencionais, o 29P pertence ao exclusivo grupo dos “centauros” e é classificado como criovulcânico. Em vez de lava incandescente, esse corpo celeste expele o chamado criomagma — uma mistura superaquecida de gases e poeira congelada. O processo ocorre quando a radiação solar penetra no núcleo de gelo, causando um aumento de pressão interna tão severo que rompe a superfície em fendas violentas.
Esse conteúdo, ao ser lançado no vácuo, expande a “coma” (a nuvem que envolve o cometa), fazendo com que ele reflita muito mais luz solar e brilhe intensamente no céu noturno.
Uma explosão entre as maiores da história
O evento registrado em 10 de fevereiro sinalizou um aumento de luminosidade de aproximadamente 100 vezes. Segundo especialistas, esta explosão figura entre as cinco maiores erupções das últimas duas décadas e meia para este objeto específico. O impacto visual foi tão acentuado que, nos dias seguintes, a nuvem de material não se espalhou de forma uniforme, mas sim em um padrão giratório.
Observadores notaram que a estrutura se assemelhava à concha de um caracol ou ao fóssil de um amonóide, um molusco extinto. Esse formato exótico é resultado da rotação do interior do cometa, que faz com que o jato de criomagma seja expelido como um aspersor de jardim cósmico.
O mistério das erupções constantes
O que intriga a comunidade científica é a regularidade e a intensidade das atividades do 29P. Enquanto outros cometas vulcânicos, como o famoso “Cometa do Diabo” (12P/Pons-Brooks), só entram em erupção ao se aproximarem do Sol, o 29P mantém uma órbita quase circular entre Júpiter e Saturno.
Mesmo estando seis vezes mais longe do Sol que a Terra, onde a radiação é consideravelmente menor, ele registra cerca de 20 erupções anuais. O mecanismo exato que gatilha explosões tão massivas — capazes de lançar até 1 milhão de toneladas de material no espaço — permanece um dos grandes pontos de interrogação da astronomia moderna.
Como observar o fenômeno no céu
Embora já tenha passado do seu pico de brilho inicial, o 29P recebeu um “reforço” luminoso após uma segunda explosão menor no dia 15 de fevereiro. Para os entusiastas equipados com telescópios ou binóculos astronômicos de alta potência, o cometa ainda pode ser localizado na constelação de Leão.
Astrônomos preveem que “réplicas” menores podem ocorrer nas próximas semanas, mantendo o objeto visível por mais tempo. Além dele, o céu de 2026 promete ser generoso: em abril, espera-se que o cometa C/2026 A1 (MAPS) ganhe brilho suficiente para ser avistado a olho nu, mesmo durante o dia.