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Cientistas controlam implantes cerebrais a mais de 10 mil quilômetros de distância

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Um grupo de cientistas conseguiu demonstrar que é possível interferir em uma experiência cerebral do outro lado do mundo sem a necessidade de sair da mesa de trabalho. Pesquisadores enviaram comandos digitais diretamente de Chicago, nos Estados Unidos, para um implante cerebral sem fio instalado em um rato em Daejeon, na Coreia do Sul, cobrindo uma distância impressionante de mais de 10.500 quilômetros.

O sinal percorreu a rede mundial de computadores até alcançar o laboratório coreano, que por sua vez retransmitiu o comando por sinal sem fio para o dispositivo acoplado ao animal. O sistema respondeu com uma latência média de cerca de 109 milissegundos, provando a viabilidade técnica de operar aparatos neurocientíficos a partir de qualquer lugar do planeta.

Um rato em livre movimentação carregando o implante cerebral sem fio RAPIDO. (Jae-Woong Jeong/KAIST)

Como funciona o sistema RAPIDO

Batizada de RAPIDO, a tecnologia foi desenvolvida por especialistas do KAIST e da Universidade Yonsei, com os resultados detalhados na revista científica Science Advances. O aparelho é compacto o suficiente para ser transportado confortavelmente por um roedor em livre movimento, integrando funções de liberação de substâncias e emissão de luz por um LED em miniatura.

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Diferente de modelos anteriores, o dispositivo conta com um cartucho recarregável e flexibilidade operacional total via internet. Essa arquitetura permite que pesquisadores realizem intervenções medicamentosas e ópticas prolongadas sem a necessidade de manusear constantemente os animais ou realizar novas cirurgias para substituição de peças.

Comandos enviados de Chicago ativaram remotamente um implante cerebral RAPIDO em Daejeon, Coreia do Sul, a 10.596 quilômetros de distância. (CY Kim/BioRender/Jeong 
et al., Science Advances , 2026)

Testes práticos em roedores e resultados comportamentais

Após validarem a conexão remota, os cientistas conduziram testes práticos divididos em duas frentes principais. Na primeira etapa, o implante administrou doses controladas de cocaína diretamente no núcleo accumbens de ratos — área cerebral ligada aos circuitos de recompensa —, gerando alterações motoras consistentes que foram reproduzidas com sucesso ao longo de semanas.

Visão geral do implante cerebral e sua função principal. (Jae-Woong Jeong/KAIST)

Na segunda série de testes, focada em optogenética, a luz emitida pelo implante ativou vias neurais específicas para modular o aprendizado associativo dos animais. Embora os experimentos sirvam puramente como prova de conceito para investigar relações causais entre atividade neural e comportamento — e não representem uma cura ou tratamento para dependência química —, eles consolidam uma nova era para a neurociência experimental global.

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