Ciência prova que bombas nucleares podem salvar a Terra de asteroides
A ideia de usar bombas atômicas para salvar o planeta de um asteroide, tema recorrente em blockbusters de Hollywood, acaba de ganhar um respaldo científico inédito.
Uma nova simulação de impacto indica que a opção nuclear pode ser, de fato, o último recurso viável para evitar um apocalipse terrestre. Diferente do que se imaginava, rochas espaciais demonstram uma resiliência surpreendente sob estresse extremo, o que muda drasticamente as estratégias de defesa planetária.
A resistência inesperada dos asteroides
Pesquisadores descobriram que os asteroides se tornam mais fortes quando submetidos a impactos intensos. Embora pareça contra-intuitivo, essa característica é uma boa notícia para a segurança da Terra.
Se um asteroide for atingido por uma carga nuclear, essa resistência aumentada sugere que ele manterá sua integridade estrutural, em vez de se estilhaçar em milhares de fragmentos menores que ainda poderiam atingir o planeta.
Ciência de ponta e parcerias espaciais
Um estudo recente, envolvendo físicos da Universidade de Oxford e a startup OuSoCo (Outer Solar System Company), analisou o comportamento de meteoritos de ferro sob níveis variados de pressão. Melanie Bochmann, cofundadora da OuSoCo, explica que as análises microscópicas confirmaram que o material pode se tornar até 2,5 vezes mais resistente após ser irradiado.
Esse dado é fundamental para reduzir as incertezas de uma missão real, onde um erro de cálculo poderia apenas atrasar a colisão ou causar mudanças imprevisíveis na trajetória da rocha.

Observação em tempo real e tecnologia do CERN
A grande inovação do estudo foi a capacidade de observar a deformação do material sem destruí-lo. Utilizando o acelerador de partículas do CERN, a equipe bombardeou amostras do meteorito Campo del Cielo com feixes de prótons de alta energia.
O físico Gianluca Gregori, de Oxford, destaca que esta foi a primeira vez que a ciência conseguiu ver, em tempo real, como um meteorito se adapta e se fortalece sob condições extremas, revelando uma capacidade de dissipar energia proporcional à força do impacto sofrido.
O futuro da defesa planetária
Os dados obtidos ajudam a explicar por que modelos matemáticos anteriores eram tão divergentes. Agora, os cientistas sabem que as propriedades mecânicas de um asteroide não são fixas; elas evoluem durante o evento de impacto. Embora o foco tenha sido em rochas ricas em ferro, os próximos passos incluem estudar composições mais complexas e heterogêneas.
Uma explosão sem perfurações
Se o “plano nuclear” precisar sair do papel, ele provavelmente não seguirá o roteiro dos filmes, que frequentemente mostram astronautas perfurando o solo para plantar bombas. Especialistas sugerem que uma detonação próxima à superfície seria suficiente para vaporizar parte da massa do asteroide, gerando o impulso necessário para desviá-lo da rota de colisão com a Terra.
Como afirma Karl-Georg Schlesinger, da OuSoCo, o mundo precisa de dados físicos precisos para ter confiança total em uma missão que, espera-se, nunca precise ser executada.


