Ciclone extratropical e frente fria colocam Sul, Sudeste e Centro-Oeste em alerta nesta semana
Entre os dias 6 e 10 de abril de 2026, uma intensa mudança nas condições meteorológicas atingirá as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A organização de um novo ciclone extratropical, acompanhado por uma frente fria, promete mobilizar os sistemas de monitoramento devido ao potencial de tempestades e ventos fortes. Segundo a Climatempo, o fenômeno terá origem entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, concentrando seus maiores impactos iniciais no extremo sul gaúcho antes de avançar pelo Oceano Atlântico.
Embora o centro do ciclone não deva cruzar os estados de Santa Catarina e Paraná, nem avançar fisicamente para o interior do Sudeste e Centro-Oeste, a frente fria associada a ele será a principal responsável pela instabilidade nessas áreas. O sistema se forma a partir de um contraste térmico acentuado: o encontro entre uma massa de ar muito quente estacionada sobre o Paraguai e o norte da Argentina com uma massa de ar frio de origem polar que avança pelo leste argentino.
Dinâmica de formação e trajetória do sistema
O processo terá início na segunda-feira, 6 de abril, com a intensificação de uma área de baixa pressão atmosférica na fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Já na terça-feira, o centro do ciclone extratropical se consolidará sobre o Uruguai, apresentando forte intensidade com pressão atmosférica abaixo de 1000 hectopascais. A partir daí, o sistema começará seu deslocamento em direção ao litoral, impulsionando a frente fria que atingirá simultaneamente o Sul do Brasil e os países vizinhos.
Durante o deslocamento na quarta-feira, dia 8, o ciclone permanecerá em alto-mar, na altura da costa gaúcha, começando a se afastar gradualmente do continente. A previsão indica que apenas na sexta-feira, 10 de abril, o sistema estará suficientemente distante em águas oceânicas para que o risco de ventos fortes e instabilidades severas cesse totalmente nas zonas costeiras brasileiras.
Impactos previstos para o Sul e Centro-Oeste
A Região Sul sentirá os primeiros efeitos já no início da semana. O Rio Grande do Sul enfrentará temporais entre segunda e terça-feira, enquanto Santa Catarina e Paraná devem registrar chuvas intensas principalmente a partir da tarde de terça-feira. Além da precipitação, o risco de rajadas de vento é alto, podendo atingir marcas entre 60 km/h e 80 km/h no litoral gaúcho e catarinense, com picos isolados de até 90 km/h sob nuvens de tempestade.
No Centro-Oeste, o estado de Mato Grosso do Sul será o mais afetado logo na terça-feira, com fortes pancadas de chuva e ventania. Nos dias subsequentes, quarta e quinta-feira, a instabilidade se espalha para Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal, acompanhando o deslocamento da frente fria pela porção central do país.
Avanço da frente fria pelo Sudeste
A partir de quarta-feira, 8 de abril, a frente fria avança sobre o Sudeste, trazendo um cenário de alerta para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. São esperadas chuvas fortes no território paulista, no Triângulo Mineiro, Sul de Minas e na Grande Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, a instabilidade se concentra inicialmente no centro-sul do estado, ganhando força nas demais áreas ao longo da quinta-feira.
No dia 9, enquanto a chuva começa a perder intensidade em São Paulo, o sistema continua ativo sobre o Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A recomendação é de atenção redobrada para o acumulado de água e rajadas de vento que, embora menos intensas que no Sul, ainda podem chegar aos 65 km/h no litoral dessas regiões.
Alerta para navegação e agitação marítima
O setor náutico deve seguir rigorosamente as orientações da Marinha do Brasil. Em alto-mar, a força do ciclone pode gerar rajadas superiores a 100 km/h na costa do Uruguai e no extremo sul brasileiro. A agitação marítima será persistente ao longo de toda a costa da Região Sul durante a quarta-feira, diminuindo gradualmente conforme o sistema se desloca para mar aberto no final da semana.