Ciclone extratropical coloca Sul em alerta com chuvas severas de 100 mm; outros estados têm risco de tempestade
A atmosfera começa o ano de 2026 sob sinal de alerta com a formação do primeiro ciclone extratropical da temporada. Este fenômeno, caracterizado por uma área de baixa pressão que se organiza em múltiplos níveis atmosféricos, promete desestabilizar o tempo nos estados do Sul do Brasil.
Embora o termo costume gerar apreensão, especialistas reiteram que tais sistemas são ocorrências habituais nas costas Sul e Sudeste, especialmente durante o outono e inverno, podendo surgir vinculados a frentes frias ou de forma autônoma.
A gênese deste sistema específico tem início nesta sexta-feira (9), partindo de uma instabilidade localizada entre o Paraguai e o norte da Argentina. O fortalecimento decisivo deve ocorrer na madrugada de sábado (10), quando a baixa pressão ganha corpo entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, consolidando-se como um ciclone extratropical capaz de gerar ventos intensos e densas camadas de nuvens.
Impacto Imediato nos estados do Sul
O Rio Grande do Sul será a porta de entrada para a severidade do sistema já nesta sexta-feira. Projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o centro e o oeste gaúcho podem registrar acumulados impressionantes de 100 milímetros de chuva em um intervalo de apenas seis horas, acompanhados por rajadas de vento que podem atingir a marca dos 100 km/h. Com o deslocamento do sistema no sábado, a instabilidade se espalha por todo o território gaúcho e avança para Santa Catarina e Paraná.

A previsão para o oeste catarinense e paranaense aponta temporais já na madrugada de sábado, com a chuva ganhando abrangência total ao longo do dia. O cenário de tempestades deve persistir durante o domingo, mantendo os três estados da região sob vigilância constante devido ao risco de transtornos causados pelo volume de água e pela força dos ventos.
Reflexos no Centro-Oeste e Sudeste
A influência deste ciclone não ficará restrita apenas ao Sul do país, embora os efeitos sejam sentidos de forma distinta em outras latitudes. A partir de domingo, a frente fria gerada pelo sistema deve impulsionar as chuvas nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Antes disso, qualquer precipitação registrada na sexta ou no sábado nessas regiões será fruto do calor acumulado — as tradicionais pancadas de verão —, sem ligação direta com o fenômeno extratropical.
Enquanto São Paulo e Mato Grosso do Sul aguardam a mudança de temperatura e o aumento da umidade, os demais estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste devem seguir sem sofrer impactos diretos deste ciclone. O sistema deve manter sua trajetória mais ao sul, concentrando o maior potencial de risco nas fronteiras com os países vizinhos e no litoral sulista.


