Caos no Senado: CPI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha e Master sob clima de briga e agressões
Em uma sessão marcada por intensos confrontos físicos e verbais, a CPI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), um robusto pacote de requerimentos que atinge figuras centrais do cenário político e empresarial.
A aprovação em massa ocorreu após uma manobra da oposição que superou a articulação do governo. Entre os principais alvos estão Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e a presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
A decisão é estratégica, pois ocorre na reta final dos trabalhos, permitindo que os dados obtidos sejam analisados antes do encerramento do colegiado, previsto para 28 de março.
Manobra regimental e conflito em Plenário
O desfecho da reunião foi resultado de um embate tático. Enquanto o governo tentava votar os 87 requerimentos em bloco para facilitar uma rejeição conjunta, a oposição insistiu na análise individual. No entanto, o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), validou uma votação simbólica que selou a vitória oposicionista.
O resultado desencadeou um cenário de caos: parlamentares governistas avançaram contra a mesa diretora, forçando a intervenção da Polícia Legislativa. O clima de hostilidade, que incluiu discussões acaloradas entre os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Evair Vieira de Melo (PP-ES), levou à interrupção da transmissão oficial pela TV Senado.
As medidas aprovadas impõem uma severa quebra de sigilos bancários e fiscais. Além de Lulinha, que já havia sido blindado pelo governo em votações anteriores, a CPI avançou sobre Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e Danielle Fonteles, publicitária ligada a campanhas petistas.
O colegiado também convocou figuras de diferentes espectros políticos, como o ex-ministro João Roma e o ex-assessor Gustavo Marques Gaspar. Até mesmo a financeira Zema Crédito, ligada ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, será alvo de pedidos de informação, demonstrando a amplitude das frentes de investigação sobre o esquema de descontos associativos fraudulentos.
Conexões baianas e o foco no Banco Master
O debate ganhou contornos regionais com foco na Bahia, reduto político de importantes lideranças do governo. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), subiu o tom ao mencionar “cadáveres a serem exumados” no estado, referindo-se às ligações de Augusto Lima com o Banco Master e o produto Credcesta.
As investigações buscam entender como o grupo obteve capilaridade para operar empréstimos consignados em 24 estados. Em resposta, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — cuja presença na sessão foi considerada excepcional — classificou as críticas como ataques pessoais e negou qualquer proximidade com as instituições financeiras citadas.
O elo com o “careca do INSS“
No centro das suspeitas que motivaram a quebra de sigilo de Lulinha está a investigação da Polícia Federal sobre Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Relatórios apontam que uma consultoria de Antunes teria transferido R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta Luchsinger, amiga próxima do filho do presidente.
Segundo a PF, os repasses ocorreram de forma fracionada, o que já resultou em medidas cautelares contra Roberta, como o uso de tornozeleira eletrônica. O relator Alfredo Gaspar (União-AL) reiterou que os indícios justificam a nova ofensiva da comissão para esclarecer o destino e a origem desses recursos.