Calor extremo na Europa: onda de calor histórica em maio deixa mortos e quebra recordes históricos
Uma onda de calor extrema e sem precedentes está assolando a Europa Ocidental, quebrando recordes históricos para o mês de maio e acendendo alertas de emergência. Na França, o fenômeno já deixou um rastro de sete mortes direta ou indiretamente ligadas às altas temperaturas. A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, confirmou os óbitos, destacando que cinco deles ocorreram por afogamento, refletindo a corrida da população a praias e rios para aliviar o calor, muitas vezes em locais ainda sem a supervisão de salva-vidas, que normalmente só começa em julho. Entre as vítimas fatais diretas do calor, uma mulher sofreu hipertermia durante uma competição de fitness em Lyon e um homem de 53 anos teve um infarto em uma corrida em Paris. Além disso, dezenas de pessoas foram hospitalizadas em estado grave em eventos esportivos de rua.
Recordes históricos e alertas máximos
Tanto a França quanto o Reino Unido registraram as maiores temperaturas para maio desde o início das medições meteorológicas. Em solo francês, a média nacional atingiu a marca inédita de 24,4°C, superando o recorde anterior que vinha desde 1944. O pico do calor ocorreu perto de Hossegor, no sudoeste do país, onde os termômetros marcaram 37,1°C. Diante do cenário crítico, as autoridades ativaram o sistema nacional de alerta de calor pela primeira vez em um mês de maio desde sua criação, em 2004. Oito departamentos franceses foram colocados em alerta laranja — o segundo nível mais alto — e outros 20 operam em alerta amarelo. Para avaliar as medidas de contingência, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião ministerial de emergência.
No Reino Unido, os termômetros chegaram a impressionantes 34,8°C nos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres. O Met Office classificou a marca como “excepcional”, pontuando que tais temperaturas seriam notáveis mesmo no auge do verão. Enquanto isso, a Espanha enfrenta máximas generalizadas de até 38°C nos vales dos rios Guadiana, Guadalquivir e Ebro, com previsões de que os termômetros rompam a barreira dos 40°C. Já na Itália, o impacto do calor severo levou o governo da região do Lácio, que inclui Roma, a proibir o trabalho ao ar livre em setores como agricultura, construção civil e entregas entre as 12h30 e 16h, protegendo os trabalhadores da exposição direta ao sol.
O Impacto das Mudanças Climáticas
Meteorologistas explicam que o fenômeno atual é causado por uma massa de ar quente vinda do Marrocos, que ficou aprisionada sob uma área de alta pressão na Europa. As previsões indicam que as temperaturas devem continuar subindo, operando entre 12°C e 13°C acima da média para a temporada. Cientistas alertam que este é um evento de proporções alarmantes. O climatologista Christophe Cassou destacou que a probabilidade de uma onda de calor dessa magnitude ocorrer nesta época do ano era de uma em mil, considerando o clima recente, e que o evento teria sido praticamente impossível na era pré-industrial.
Modelos climáticos já apontam que as ondas de calor na Europa estão se tornando dez vezes mais prováveis devido ao aquecimento global. Especialistas reforçam que a extensão da temporada de calor extremo é uma assinatura clara das mudanças climáticas. A tendência é que a Europa enfrente episódios como este cada vez mais cedo, com maior intensidade e maior frequência, abrindo o precedente para que, no futuro, eventos semelhantes passem a ser registrados também nos meses de abril e outubro.