Após morte de Khamenei, temor de assassinato faz Putin paralisar a internet russa
O desligamento sem precedentes da internet móvel na Rússia acendeu um alerta global sobre o avanço da repressão digital no país. O apagão, que começou em 5 de março nos subúrbios de Moscou e rapidamente atingiu a capital e São Petersburgo, paralisou serviços essenciais, desde aplicativos de transporte e entrega até sistemas governamentais e o acesso a portais estrangeiros. Embora o Kremlin justifique a medida como uma defesa técnica contra drones ucranianos que utilizam sinais de satélite, especialistas e observadores internacionais veem um cenário muito mais complexo e pessoal por trás da desconexão.
A sombra do atentado no Irã e o isolamento de Putin
A principal hipótese para o bloqueio digital reside no temor de Vladimir Putin por sua própria integridade física. O movimento coincide com o assassinato do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, ocorrido em 28 de fevereiro em Teerã. Relatórios indicam que Khamenei foi localizado e morto após o monitoramento de seus movimentos por meio de câmeras de segurança hackeadas. O episódio teria causado um estado de alerta máximo no Kremlin, levando Putin a reduzir drasticamente suas aparições públicas e a reforçar o esquema de segurança em suas residências oficiais em Moscou e Sochi.
Entre reuniões virtuais e ameaças internas
Dados levantados pelo veículo independente Agentsvo mostram que, desde 9 de março, Putin manteve um dos maiores intervalos de eventos públicos presenciais do ano. A maioria de suas agendas foi substituída por reuniões virtuais ou vídeos que aparentavam ser pré-gravados, alimentando especulações sobre seu isolamento. Paralelamente, fontes ligadas aos serviços de segurança mencionam a existência de supostas “ameaças internas”, que incluiriam planos sofisticados de sabotagem em áreas frequentadas pelo presidente, embora tais alegações careçam de comprovação oficial.
O uso da tecnologia como arma de rastreamento
Figuras da oposição e críticos do governo, como o ativista Bill Browder e o político Dmitry Gudkov, sugerem que a elite russa está apavorada com a capacidade das inteligências ocidentais de transformar a infraestrutura digital em ferramentas de vigilância letal. Para Browder, o desligamento da rede é uma medida desesperada de um líder que se sente vulnerável, acreditando que a internet móvel poderia ser usada para rastrear seus passos e coordenar um ataque direto. O bloqueio, portanto, seria menos uma estratégia militar de guerra e mais um reflexo da crescente paranoia que cerca o centro do poder na Rússia.