Após denúncias sobre Lulinha, oposição pede inclusão de Roberta Luchsinger no programa de proteção de testemunhas
As recentes declarações da empresária e lobista Roberta Luchsinger em entrevista à CNN Brasil desencadearam forte repercussão nos bastidores de Brasília. Investigada pela Polícia Federal (PF) por suposto envolvimento em fraudes do INSS e tráfico de influência junto ao governo federal, Luchsinger afirmou que pretende formalizar um acordo de delação premiada e garantiu que não poupará nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em resposta aos desdobramentos, parlamentares da oposição acionaram diferentes órgãos solicitando inclusão imediata da empresária e de suas filhas em um programa de proteção a testemunhas, alegando risco iminente à segurança da família.
O deputado federal Marcel van Hattem classificou os relatos como gravíssimos e formalizou um pedido direto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para garantir a integridade física de Roberta. O deputado Gilberto Silva também anunciou representações em outras instituições. O movimento da oposição ocorre em meio a alegações da própria empresária, que afirma estar recebendo cerca de 50 ameaças de morte diárias, direcionadas também a seus familiares, além de sofrer perda de contratos comerciais e forte pressão da máquina pública para se calar.
Revelações sobre Lulinha e bastidores do governo
A empresária sustentou que possui dados e informações inéditas que não foram identificados nos aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos durante as operações da Polícia Federal. Segundo Roberta, Lulinha mantinha encontros frequentes e reservados com ministros de Estado e assessores do governo — citando nominalmente o ministro Camilo Santana —, além de reuniões com o presidente de uma empreiteira portuguesa para tratar de negócios ligados ao projeto do túnel Santos-Guarujá, orçado em cerca de R$ 2 bilhões.
A proximidade entre Roberta Luchsinger e o partido governista começou em 2017, período em que o atual presidente enfrentava os processos da Operação Lava Jato. No ano seguinte, a empresária chegou a concorrer a uma vaga de deputada estadual por São Paulo, mas não foi eleita. A relação pessoal e comercial que manteve com Lulinha ao longo dos anos tornou-se um dos pontos centrais das investigações que apuram se houve intermediação de interesses privados em órgãos como o Ministério da Saúde — na venda de remédios à base de canabidiol — e a Dataprev.
Subida de tom e acusações diretas ao Planalto
A disposição para colaborar com a Justiça surge acompanhada por uma escalada de ataques verbais entre a empresária e o chefe do Executivo. Roberta reagiu duramente às declarações em que Lula a chamou de “pilantra” em entrevistas anteriores, acusando o presidente de agir de forma covarde e de usá-la como “boi de piranha” para desviar a atenção de responsabilidades maiores. A lobista negou ter cometido irregularidades, classificou o mandatário como “mau-caráter” e declarou que ele faltou com a verdade ao negar a presença constante de Lulinha em gabinetes ministeriais.
Além disso, a empresária alega estar sofrendo impactos diretos do processo em sua vida cotidiana e financeira, com o bloqueio de bens e a perda de fontes de renda. Roberta sustentou que todas as movimentações e conversas que citam a presença do filho do presidente em agendas oficiais podem ser comprovadas a partir dos registros em seus dispositivos telemáticos.
Governo nega irregularidades e aponta uso eleitoral
Em nota oficial emitida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Palácio do Planalto rebateu as acusações e informou que o presidente desconhece os fatos relatados. O governo enfatizou que Lula jamais manteve interlocução com a empresária, nunca recebeu suas demandas e ressaltou a inexistência de contratos públicos entre a gestão federal e a investigada. O Executivo classificou as declarações como uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e manipular a opinião pública, destacando o surgimento das denúncias na reta final do segundo turno das eleições.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva também se manifestou, reiterando que seu cliente não cometeu qualquer ilegalidade e que já colocou seus sigilos bancário, fiscal e telemático à disposição das autoridades. A nota da defesa destacou ainda que as relações mantidas por Lulinha no meio político possuem caráter estritamente pessoal, sem qualquer relação com negociações ilícitas ou intermediação de favores públicos.