Aparição do peixe-remo na costa de país da América do Sul vira motivo de preocupação com mau presságio
O litoral da região de Antofagasta, no Chile, foi cenário de um registro incomum após a localização de um exemplar de peixe-remo morto na costa. Conhecido popularmente como “peixe do apocalipse”, o animal marinho de águas profundas atraiu a atenção da mídia local e gerou especulações públicas, levantando suspeitas infundadas de que sua aparição em uma zona atípica estaria relacionada à ocorrência de um terremoto.
Características do animal e surpresa científica
O caso veio a público após pescadores locais relatarem o achado, informação posteriormente divulgada nas redes sociais pelo Centro de Pesquisa da Fauna Marinha e Observação de Cetáceos (Cifamac). Segundo os dados repassados pela instituição, o espécime encalhado media cerca de cinco metros de comprimento e contava com 47 centímetros de largura corporal, além de olhos com aproximadamente cinco centímetros de diâmetro, uma adaptação fisiológica fundamental para enxergar em ambientes de luminosidade extremamente escassa no oceano profundo.
O Cifamac ressaltou o caráter inédito da ocorrência para o público geral, pontuando que espécimes dessa natureza raramente são avistados perto da costa. Para os pesquisadores, o episódio serve para evidenciar a vasta diversidade da vida marinha nas profundezas e o muito que ainda resta à ciência desvendar sobre esses habitats.
Desmistificando a relação com terremotos
Apesar das narrativas difundidas pelo folclore popular, especialistas rejeitaram qualquer nexo causal entre o encalhe e abalos sísmicos. Cientistas apontam que o fenômeno pode encontrar justificativas em fatores oceanográficos, como o aquecimento das águas do Oceano Pacífico decorrente da atuação do fenômeno El Niño.
O biólogo Marcelo Oliva, da Universidade de Antofagasta, reforçou que a crença de que animais marinhos encalhados anunciam desastres naturais pertence ao campo cultural e carece de embasamento empírico. No mesmo sentido, Ricardo Sáez, que lidera a Unidade de Conservação e Biodiversidade do Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura do Chile, lembrou que a ciência ainda não dispõe de métodos para prever terremotos com exatidão.