Além da ferida: como o perdão transforma a dor em testemunho de graça e misericórdia

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Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21-22)

Perdoar uma pessoa às vezes é mais fácil de falar do que fazer, especialmente quando se trata de alguém próximo a nós. Costuma-se dizer que, quanto mais próximo o relacionamento, mais profunda é a ferida.

Então, como podemos responder quando somos rejeitados pelos entes queridos, uma vez que até os cristãos podem guardar rancor e ter um espírito de falta de perdão?

Primeiro, precisamos entender que perdoar não é fácil, mas com a ajuda de Deus todas as coisas são possíveis (Marcos 10:27), e uma vez que escolhemos perdoar, sentimos como se o peso do mundo tivesse sido tirado de cima de nós.

Em segundo lugar, como cristãos, precisamos compreender que o perdão é um mandato para os crentes; é inegociável, porque, se queremos perdão, também devemos perdoar. “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mateus 6:14-15).

É importante compreender que a falta de perdão causa mais danos a nós do que a quem não perdoamos. Isso leva à angústia mental, à depressão e até a problemas de saúde física. O perdão traz o oposto: refresca, traz paz e boa saúde. Se você quer paz, você deve perdoar, pois paz e falta de perdão não se misturam.

Quando escolhemos o perdão, estamos sendo como Cristo: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Efésios 4:32). Da mesma forma, Colossenses 3:13 diz: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” A chave em ambas as passagens é que devemos perdoar os outros como Deus nos perdoou. Então, por que perdoamos? Porque fomos perdoados!

Na maioria dos relacionamentos, em algum momento experimentaremos desacordos e divisões, seja em escala menor ou maior. Às vezes, isso pode resultar de expectativas equivocadas e falta de limites. Mas uma coisa é certa: se quisermos construir amizades boas e duradouras, temos que perdoar.

Em Mateus 18:21-35, Pedro pergunta quantas vezes ele tem que perdoar seu irmão. Ao sugerir sete vezes, Pedro assume que está sendo generoso. Mas quando invertemos essa questão, com que frequência nosso irmão deveria nos perdoar? Ou, mais importante, com que frequência Deus deveria nos perdoar?

Jesus respondeu: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:22). Recusar-se a perdoar uma pessoa demonstra ressentimento, amargura e raiva, nenhuma das quais são características de um cristão em crescimento. Biblicamente, o perdão não é somente algo que a pessoa ofendida oferece; é necessário que o ofensor o receba, trazendo reconciliação à relação.

Quando refletimos humanamente sobre isso, parece um fardo quando somos nós que devemos pedir perdão. Mas se somos nós que estamos sendo perdoados, isso parece muito com misericórdia, que também é referida como compaixão.

Precisamos entender que, apesar das rupturas que ocorrem nos relacionamentos, ainda existe a possibilidade de perdão, mudança e até renovação. Lembre-se de que nem sempre é importante determinar quem pede perdão e quem o concede, pois o perdão é um ato deliberado de amor, misericórdia e graça. O perdão é uma decisão de não usar algo contra outra pessoa, apesar do que ela tenha feito a você.

Lembre-se de que Deus promete que, quando vamos a Ele confessando nossos pecados e pedindo perdão, Ele o concede gratuitamente devido a Cristo: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

Da mesma forma, o perdão que estendemos aos outros não deve ter limites. “Se o seu irmão ou irmã pecar contra você, repreenda-o; e se eles se arrependerem, perdoe-os. Mesmo que pequem contra você sete vezes por dia e sete vezes voltem para você dizendo: ‘Arrependo-me’, você deve perdoá-los” (Lucas 17:3–4).

Se você precisar de ajuda para perdoar aqueles que o rejeitaram, vamos orar juntos:

Pai, eu venho diante de Ti. Tenho guardado raiva e falta de perdão em meu coração em relação a ___________. Eu os libero para Você. Não quero mais carregar esse fardo. Liberte-me da escravidão da falta de perdão. Eu entrego meu passado para Você. Entrego a Ti minhas feridas, lágrimas, abusos, abandono, rejeição e a(s) pessoa(s) que me machucaram. Oro para que, se ainda não encontraram Jesus Cristo, que o encontrem. Oro para que eles encontrem o perdão dos seus pecados mediante Você, Senhor, assim como Você me perdoou. Obrigado por ser um Deus de restauração e curador de feridas emocionais. Em nome de Jesus, amém.

Salete Sartori colunista do Devocional do dia

Foto: AP

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