“A culpa é do Lula”: Aliados de Flávio Bolsonaro alinham discurso e ampliam ofensiva sobre tarifaço
A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros gerou uma reação coordenada de parlamentares e figuras ligadas ao Partido Liberal (PL) nas redes sociais. O movimento foi desencadeado por uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, no X, na qual ele atribui a medida diretamente à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Rubio, o presidente brasileiro teria falhado em negociar de boa-fé e priorizado o “próprio ego” em detrimento de um acordo comercial.
A estratégia de comunicação do PL
A oposição adotou uma narrativa unificada para transferir ao Palácio do Planalto o desgaste político decorrente das tarifas. Pouco após a postagem do secretário americano, o perfil oficial do PL iniciou uma campanha nas redes sociais utilizando bordões padronizados, como “A culpa é do Lula”, “Defenda o Brasil do PT” e “PT: Partido do Tarifaço”. Essa estratégia foi replicada em sequência por diversas lideranças bolsonaristas.
O senador Flávio Bolsonaro foi um dos principais entusiastas da mensagem, mencionando nominalmente Marco Rubio para reforçar que a responsabilidade pela taxação recairia sobre o governo petista. Em sua declaração, o senador afirmou ter realizado articulações nos EUA para evitar a medida, alegando que o Executivo brasileiro teria falhado em defender os interesses nacionais. Outros nomes da bancada, como o deputado Sóstenes Cavalcante e o senador Izalci Lucas, também endossaram o discurso, enquanto o deputado Nikolas Ferreira optou por uma abordagem irônica ao publicar “Make the L”.
Divergências e reações institucionais
Nem todos os aliados de Jair Bolsonaro seguiram estritamente o roteiro dos bordões. Paulo Figueiredo, figura próxima ao clã Bolsonaro, celebrou a declaração de Rubio como uma validação de suas análises, mas ponderou que a aplicação de tarifas gerais pode não ser o instrumento mais adequado, sugerindo que as sanções deveriam recair sobre indivíduos específicos.
Por sua vez, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, adotou um tom mais institucional. Em nota, Marinho evitou os slogans e focou em criticar o que chamou de “indignação seletiva” do governo federal diante de restrições comerciais de outros parceiros internacionais, como China e União Europeia. O senador aproveitou o comunicado para reafirmar seu apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2027.
Apesar da coordenação nas redes, o esforço da oposição enfrentou dificuldades para ganhar tração no debate público digital. Até o fechamento da reportagem, os bordões do PL não figuravam entre os temas mais comentados no X no Brasil. Em contrapartida, o campo governista obteve maior engajamento com uma contraofensiva baseada em termos como “TARIFLÁVIO TAXOU VOCÊ” e “O PIX É DO BRASIL”. Esses slogans buscam associar o desgaste da medida ao senador Flávio Bolsonaro e defender a integridade do sistema de pagamentos brasileiro, que tem sido alvo de questionamentos no processo de investigação comercial americano. Os nomes de Lula e Rubio, além da FIESP, também se mantiveram entre os assuntos de maior repercussão na plataforma.