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Terremoto raso é apontado como provável causa de avalanche que deixou mortos e centenas de desaparecidos na fronteira entre Nepal e Tibete

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Uma série de enchentes repentinas provocadas por uma avalanche de gelo e rochas deixou pelo menos 95 mortos e centenas de desaparecidos na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O desastre foi precedido por um terremoto de magnitude 4,4 e foco raso, registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) a 10 quilômetros de profundidade. Embora as autoridades locais ainda apurem o nexo causal exato, a proximidade temporal entre o tremor e o rompimento que afetou os rios locais mobilizou equipes de emergência e especialistas em geologia.

O papel do tremor raso e das chuvas no desencadeamento da avalanche

De acordo com o levantamento técnico, o abalo sísmico ocorreu às 8h37 da manhã, minutos antes de câmeras de segurança registrarem a avalanche descendo sobre a passagem terrestre entre os dois países. Especialistas explicam que terremotos com foco de apenas 10 quilômetros de profundidade chegam à superfície com pouca dissipação de energia, desferindo um impacto severo no solo. A suspeita principal é de que o tremor tenha rompido acúmulos de gelo e água represados por chuvas intensas anteriores no rio Lhende Khola, liberando uma torrente devastadora de água, lama e detritos em direção ao rio Bhote Koshi.

Destruição generalizada e militares e turistas desaparecidos

A força das águas destruiu pontes, estradas, residências e usinas hidrelétricas no lado nepalês, além de comprometer severamente as comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse, no Tibete. Entre os desaparecidos estão centenas de turistas — muitos deles peregrinos indianos e da diáspora que viajavam rumo ao Monte Kailash —, além de dezenas de policiais e militares nepaleses mobilizados na área. Os esforços de resgate enfrentam barreiras severas, uma vez que o nível elevado dos rios impede o pouso de helicópteros de socorro em distritos montanhosos como Rasuwa.

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Risco iminente de novas cheias e alertas internacionais

As equipes de monitoramento alertam para o perigo iminente de um segundo transbordamento, já que parte do material rochoso e congelado formou um novo bloqueio a montante no rio Lhende Khola, agindo como uma represa improvisada sob forte pressão. Com o fluxo descendo em direção ao sul da cordilheira, o governo do Nepal emitiu ordens urgentes de evacuação para áreas ribeirinhas, enquanto alertas de inundação foram disparados para os estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, situados a jusante.

Imagem de satélite da avalanche

O evento trágico reforça os alertas de cientistas sobre a vulnerabilidade extrema da bacia do Himalaia, que abrange Nepal, Índia, China e Butão. Pesquisas recentes apontam que a região aquece em ritmo superior à média global, acelerando o derretimento das geleiras do Hindu Kush — cujas taxas de perda de gelo dobraram desde o ano 2000.

Diante do cenário de crise climática, governos locais reforçam a necessidade de aprimorar sistemas de monitoramento precoce para mitigar perdas catastróficas em desastres correlatos.

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