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Oposição endurece tom e exige avanço da PF em investigações sobre Lulinha e ex-chefe de gabinete

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As revelações sobre mensagens que mostram a proximidade de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a empresária Roberta Luchsinger e a interlocução dela com o ex-chefe de gabinete do presidente Lula levaram a oposição a cobrar o avanço da Polícia Federal nas investigações sobre o caso. Parlamentares defendem que o filho do petista seja ouvido e que as provas reunidas sejam preservadas.

Como mostrou O GLOBO, Roberta enviou a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. Na época, a empresária havia sido contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para tentar viabilizar o negócio com a pasta. A operação não prosperou. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o documento, mas disse que não o encaminhou.

Roberta também aparece em uma série de diálogos com Lulinha encontrados pela PF. Em uma das conversas, a empresária afirma que os dois estavam trabalhando em “outro nível” e escreve: “Nosso futuro é Suíça”. O filho do presidente responde: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.

As mensagens também mostram que as relações alcançavam auxiliares próximos do presidente. Em outro diálogo, Roberta menciona Marcola e um almoço com “Berger”, referência, segundo as investigações, a Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde. Lulinha responde que já seria a terceira reunião com o então chefe de gabinete do pai e relata que Marcola pedia encontros reservados: “Isso… Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós”.

Candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-relator da CPI do INSS, Alfredo Gaspar usou os novos elementos para aumentar o tom contra o governo. Para ele, a interlocução mostra que as suspeitas chegaram ao entorno imediato do presidente.

— Lula não tem como dizer que não sabia. A corrupção chegou ao gabinete presidencial. Nós fizemos o relatório da CPI e apontamos Lulinha e Roberta Luchsinger como traficantes de influência e corruptos. Levou seis meses para a Polícia Federal descobrir o que nós descobrimos lá atrás, mas foi um pouco além — afirmou.

A reação também avançou para pedidos formais de novas medidas. O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPI do INSS, anunciou que vai pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), providências para que Lulinha seja ouvido e para preservar as provas já reunidas.

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Não importa o sobrenome. Não importa de quem é filho. A lei tem que valer para todos. Eu confio no ministro André Mendonça e acredito que a Justiça vai fazer o seu papel. O Brasil vai conhecer a verdade. Nós não perdemos a esperança. E eu não vou parar — afirmou.

Na Câmara, o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), prepara uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) também cobrando providências em relação ao filho do presidente. O deputado quer que a Procuradoria avalie a preservação imediata das provas e pedirá a oitiva de Lulinha, além de outras medidas que considerar necessárias ao avanço das investigações.

O caso também passou a ser explorado nas redes por integrantes da família Bolsonaro. Flávio publicou uma reportagem sobre as mensagens e afirmou que “a casa caiu para a família Lula”. O candidato à Presidência contrapôs as suspeitas envolvendo Lulinha à situação dos aposentados atingidos pelo esquema de descontos indevidos do INSS.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro compartilhou a publicação do irmão e buscou estabelecer uma comparação entre as duas famílias. “Os filhos de Bolsonaro se expõem mesmo perseguidos. Todos sabem onde estamos. Já os filhos de Lula…”, escreveu.

O deputado Osmar Terra (PL-RS) também repercutiu as descobertas e destacou o diálogo sobre a Suíça.

Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas de apuração envolve justamente sua relação com Roberta. A empresária recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS, em cinco parcelas de R$ 300 mil, para atuar na tentativa de viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde.

A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que se manifestará nos autos depois de ter acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo. Os advogados também dizem que pedirão a apuração do que classificam como “instrumentalização” de instituições por interesses políticos e eleitorais.

O Ministério da Saúde afirmou que nunca houve possibilidade de compra de canabidiol, uma vez que o produto não está incorporado ao SUS, e que não houve contrato ou discussão da atual gestão para sua oferta na rede pública. Roberta, por sua vez, negou em depoimento à PF ter repassado dinheiro a Lulinha e afirmou que os valores recebidos do Careca do INSS correspondiam a serviços de consultoria.

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