Ucrânia ataca Moscou com centenas de drones, incendeia áreas industriais e deixa feridos em retaliação a bombardeios em Kiev

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Em uma das maiores operações aéreas contra a capital russa desde o início do conflito, a Ucrânia lançou mais de 400 drones em direção a Moscou entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira. De acordo com o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, a maior parte dos artefatos foi abatida pelas defesas aéreas ainda longe da cidade, enquanto 85 deles acabaram interceptados já nas proximidades da capital. O ataque relâmpago ocorre em um momento em que a guerra já ultrapassa a marca de quatro anos, distanciando ainda mais as perspectivas de um acordo de paz.

Os impactos da ofensiva ucraniana foram sentidos principalmente na região metropolitana de Moscou. O governador local, Andrei Vorobyov, confirmou que pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e diversos edifícios residenciais e estruturas civis sofreram danos.

Na cidade de Domodedovo, situada perto de um dos principais aeroportos da capital, sete pessoas foram feridas, incluindo três cidadãos chineses. Autoridades locais também relataram incêndios expressivos, como o que atingiu o parque industrial Yuzhnye Vrata, além de relatos da mídia independente sobre chamas em um depósito de petróleo em Podolsk.

A evolução rápida da tecnologia de drones de longo alcance da Ucrânia tem se tornado um desafio logístico e militar complexo para o Kremlin, dada a dificuldade de proteger a vasta extensão do território russo. As forças de Kiev têm concentrado seus esforços na infraestrutura energética da Rússia, mirando refinarias e depósitos de combustível como estratégia para desestabilizar o abastecimento e pressionar o governo do presidente Vladimir Putin.

Retaliação russa e a disputa pelos céus

A investida ucraniana aconteceu poucas horas após uma forte onda de bombardeios promovida pela Rússia contra Kiev e outras cidades da Ucrânia. Utilizando mísseis balísticos, o ataque russo de domingo resultou na morte de pelo menos seis pessoas e deixou dezenas de feridos. De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado em Washington, Moscou tem recorrido aos seus estoques estratégicos, lançando em julho mais mísseis balísticos do que sua capacidade estimada de produção mensal, devido à maior taxa de sucesso desse armamento em romper as defesas ucranianas.

Na mesma noite, as forças russas também miraram a infraestrutura portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, atingindo tanques de armazenamento de combustível. A Força Aérea da Ucrânia informou ter enfrentado uma investida composta por dois mísseis e 94 drones de ataque de longo alcance. Embora os sistemas de defesa de Kiev tenham conseguido bloquear ou interceptar a maior parte das ameaças, impactos foram registrados em nove localidades diferentes, reforçando o apelo dramático do governo ucraniano por interceptores ocidentais mais sofisticados.

Crise política e protestos em Kiev

Enquanto lida com a pressão militar nas fronteiras, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy enfrenta um cenário de forte turbulência política interna. O líder anunciou a realização de reuniões cruciais nesta segunda-feira para tentar conter uma crise institucional provocada pela recente reforma ministerial. A dança das cadeiras no governo expôs uma divisão profunda entre a ala militar tradicional e uma nova geração de inovadores focada em tecnologia de defesa.

O estopim da crise foi a demissão do jovem ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, de 35 anos, uma figura amplamente popular e associada à modernização tecnológica das forças armadas. A decisão de Zelenskyy de afastar Fedorov e manter o comando com o general Oleksandr Syrskyi, de 60 anos e formação militar soviética, gerou insatisfação popular e culminou em dias de protestos de rua em apoio ao ex-ministro. Agora, o presidente ucraniano corre contra o tempo para convencer a opinião pública e as tropas de que a mudança estratégica não enfraquecerá a resistência do país no campo de batalha.

Foto: AP

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