Ucrânia lança pesada ofensiva de drones contra São Petersburgo e outras regiões russas e destrói depósito de petróleo
A Ucrânia iniciou, nas primeiras horas deste sábado (6), uma operação aérea de grande envergadura contra alvos dentro da Rússia. Centenas de drones foram direcionados a diversas províncias russas, coincidindo com o encerramento do Fórum Econômico de São Petersburgo, evento de destaque no calendário político e econômico do país. A região de São Petersburgo, especificamente, voltou a ser alvo pela segunda vez em menos de sete dias. Embora autoridades locais tenham minimizado os impactos, relatando ausência de danos estruturais significativos, o governador Aleksandr Beglov emitiu um alerta pouco comum, solicitando que a população permanecesse em suas casas durante a investida, que deixou três feridos leves.
O Ministério da Defesa russo declarou ter interceptado 376 drones em uma operação que se estendeu por um território vasto, abrangendo áreas próximas à capital, a Crimeia, a Abkházia, além de sobrevoos sobre os mares Negro e de Azov. Somente na região de Leningrado, que rodeia São Petersburgo, a defesa antiaérea reportou a neutralização de mais de 140 aeronaves não tripuladas. Apesar da narrativa oficial de eficácia das defesas, o ataque causou danos materiais e perdas humanas. Em Ust-Labinsk, no sul, um incêndio de grandes proporções destruiu um depósito de combustível, enquanto na região de Tver, no oeste, um civil morreu após ser atingido por destroços resultantes da queda de um dos dispositivos interceptados.
Impasse diplomático e endurecimento das posições
Ao comentar a operação, o presidente Volodymyr Zelensky justificou a ação como uma “resposta justa” ao conflito deflagrado pela Rússia, destacando que a pressão imposta por Kiev começa a produzir resultados práticos. O cenário diplomático, no entanto, permanece estagnado. Em declarações feitas na véspera, Vladimir Putin refutou qualquer perspectiva de negociação com o governo ucraniano, declarando não ver utilidade em diálogos antes de um eventual processo de pacificação. O chanceler ucraniano, Andrii Sibiga, rebateu a posição russa, argumentando que o Kremlin desperdiçou a oportunidade de encerrar as hostilidades iniciadas em fevereiro de 2022.
A escalada ocorre em um momento em que as iniciativas internacionais de mediação, encabeçadas majoritariamente pelos Estados Unidos, enfrentam dificuldades para avançar. Após mais de três anos de guerra, o saldo do conflito é marcado por um rastro de destruição no leste e no sul da Ucrânia, um número massivo de baixas militares e o deslocamento forçado de milhões de cidadãos que abandonaram suas casas devido aos combates constantes.
Violência persiste em solo ucraniano
Mesmo diante da ofensiva ucraniana, as forças russas mantiveram sua cadência de ataques contra o território vizinho ao longo deste sábado. Na região de Zaporizhzhia, equipes de resgate localizaram os corpos de dois civis que estavam desaparecidos após bombardeios recentes na área. Simultaneamente, o centro da Ucrânia sofreu ataques coordenados por drones e artilharia russa em Dnipropetrovsk. Segundo dados fornecidos por lideranças regionais, a investida resultou em, ao menos, uma morte e deixou outras três pessoas feridas, mantendo o cotidiano sob constante ameaça de ataques aéreos.