EUA negociam expansão confidencial de armas nucleares na OTAN sob interesse de países vizinhos à Rússia

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O governo dos Estados Unidos está conduzindo negociações confidenciais para enviar armas nucleares a novos países europeus membros da OTAN. A iniciativa, revelada pelo jornal Financial Times, surge como uma tentativa de tranquilizar os aliados continentais diante de uma reestruturação na postura de defesa de Washington.

De acordo com fontes próximas às tratativas, as autoridades americanas demonstram abertura para ampliar o programa para além das seis nações que atualmente abrigam os bombardeiros com capacidade nuclear do país. Essa movimentação é impulsionada pelo temor generalizado na Europa após as recentes decisões da Casa Branca de retirar tropas e sistemas de armas convencionais de importância crítica do território europeu.

Fortalecimento do escudo nuclear no Leste Europeu

A ampliação do programa de compartilhamento nuclear permitiria que mais nações aliadas passassem a receber aeronaves americanas de dupla capacidade (DCA), que são preparadas para executar ataques nucleares. O principal objetivo de Washington com essa medida é sinalizar que o compromisso com o “guarda-chuva nuclear” sobre a Europa permanece firme, mesmo com a pressão crescente para que os membros europeus assumam uma fatia maior nos custos da defesa convencional.

Nesse cenário, países situados na fronteira leste da OTAN têm demonstrado forte interesse em sediar essas bases de dissuasão. A Polônia e os Estados Bálticos estão na vanguarda desse movimento. Varsóvia, inclusive, tem sido vocal sobre o desejo de abrigar o armamento e aderiu recentemente a uma iniciativa francesa voltada para a realocação temporária de partes do arsenal nuclear de Paris. Embora o interesse seja imediato — impulsionado pela guerra na Ucrânia e pelas recorrentes ameaças nucleares do Kremlin —, interlocutores ressaltam que um acordo definitivo dentro dos canais da OTAN ainda não é iminente.

O funcionamento do modelo herdado da Guerra Fria

Atualmente, o pacto de compartilhamento nuclear da OTAN é composto por Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Turquia e Reino Unido. Sob esse modelo estabelecido ainda na Guerra Fria, esses países hospedam os caças de dupla capacidade e as bombas americanas em locais estratégicos. O controle e a guarda dos armamentos permanecem sob a responsabilidade exclusiva de tropas dos EUA, que detêm o poder único de autorizar qualquer uso.

Os grupos aéreos dessas nações parceiras utilizam caças avançados, como o F-35, F-15 e Tornado, participando de exercícios militares conjuntos. Essa dinâmica serve como a principal plataforma de segurança para os aliados que não possuem um arsenal atômico próprio.

A pressa em reforçar o plano nuclear decorre da insatisfação com as diretrizes do governo Trump, que surpreendeu a aliança ao cancelar o envio de sistemas convencionais cruciais e redirecionar o foco e os recursos militares americanos para a Ásia. Líderes europeus expressaram forte preocupação de que essa guinada estratégica pudesse deixar lacunas graves na segurança do continente.

Embora a Europa tenha se comprometido a elevar drasticamente seus orçamentos de defesa para cobrir a ausência das forças convencionais dos EUA, o escudo nuclear é visto como um elemento insubstituível. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, ponderou recentemente que, apesar do redirecionamento de Washington para outros cenários globais, há um consenso de que a capacidade de dissuasão geral na Europa precisa ser preservada integralmente.

Paralelamente aos movimentos de Washington, cresce na Europa um esforço para a construção de uma estratégia de defesa mais autônoma. Diante das incertezas sobre as garantias americanas a longo prazo, várias nações escandinavas começaram a buscar alternativas em Paris. A Noruega, motivada pelo intenso rearme russo, assinou um acordo para integrar o “guarda-chuva nuclear” da França, seguindo os passos de Suécia e Dinamarca. Com isso, os aliados europeus começam a desenhar um plano B caso o suporte militar de Washington venha a minguar nos próximos anos.

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