Hantavírus no Paraná: casos confirmados e suspeitas em investigação mobilizam saúde contra a “doença dos roedores”
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou o registro de dois casos de hantavírus no Paraná em 2026. Os pacientes identificados são um homem de 34 anos, morador de Pérola d’Oeste, no Sudoeste, e uma mulher de 28 anos, residente em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Enquanto a confirmação no Sudoeste ocorreu em abril, o caso de Ponta Grossa foi ratificado em fevereiro. Além destes, o estado mantém 11 ocorrências sob investigação, tendo descartado outros 21 casos suspeitos até o momento.
De acordo com as autoridades de saúde, a situação está sob controle e a rede pública mantém o monitoramento contínuo. Em comparação ao ano anterior, os números mostram uma leve oscilação, visto que, em 2025, o estado registrou apenas um caso da doença, localizado no município de Cruz Machado.
Origem da transmissão e diferenças da cepa Argentina
Os registros no Paraná são da cepa silvestre, transmitida exclusivamente por roedores do campo. A Sesa esclarece que não há circulação do vírus do tipo “Andes” no estado — variante que permite a transmissão direta entre seres humanos. Essa distinção é importante para tranquilizar a população diante do alerta global emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após mortes ocorridas em um cruzeiro que partiu da Argentina.
Os municípios paranaenses e o governo estadual reforçam que os casos locais não possuem qualquer vínculo epidemiológico com o surto no navio. No entanto, a atenção é redobrada em Pérola d’Oeste devido à proximidade com a fronteira argentina, onde o país vizinho enfrenta um aumento expressivo de casos, somando mais de cem infecções desde meados de 2025.
Dinâmica da infecção em ambientes rurais
O hantavírus é uma zoonose viral cujos principais hospedeiros são roedores silvestres. A contaminação humana ocorre, fundamentalmente, pela inalação de partículas suspensas no ar derivadas da urina, fezes ou saliva de animais infectados. Por essa razão, locais fechados e com pouca ventilação, como silos, paióis, galpões e cabanas, representam o maior risco para os trabalhadores e moradores de áreas rurais.
No caso específico de Ponta Grossa, a investigação municipal aponta que a paciente teria sido contaminada em outra localidade, embora o município de origem da infecção não tenha sido divulgado. A infectologista Gabriela Gehring destaca que o vírus se manifesta de forma variada: enquanto alguns pacientes apresentam quadros leves e inespecíficos, outros podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave.
Os sinais iniciais da hantavirose podem ser facilmente confundidos com uma gripe forte. O paciente costuma apresentar febre alta, dores musculares, cefaleia e mal-estar geral, por vezes acompanhados de sintomas gastrointestinais. Em estágios avançados, a doença evolui para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, caracterizada por tosse seca, falta de ar e queda acentuada da pressão arterial.
Atualmente, não existe um medicamento antiviral específico ou vacina para combater o hantavírus. O tratamento é estritamente de suporte, exigindo internação hospitalar para monitoramento das funções vitais. O sucesso da recuperação está diretamente ligado à rapidez com que o paciente busca ajuda médica após os primeiros sintomas.
Medidas práticas de prevenção e higiene
A principal estratégia para evitar a doença é impedir o contato com roedores e seus resíduos. Autoridades recomendam manter terrenos limpos, livre de entulhos e lixo que possam servir de abrigo para animais. Alimentos devem ser estocados em recipientes hermeticamente fechados para não atrair os transmissores para dentro das residências ou depósitos.
Para quem precisa realizar a limpeza de locais que ficaram fechados por muito tempo, a orientação técnica é evitar o uso de vassouras, que levantam a poeira contaminada. O ideal é realizar uma limpeza úmida, utilizando água sanitária para desinfetar as superfícies e garantir que o ambiente esteja bem ventilado antes do manuseio, sempre utilizando calçados fechados e luvas de proteção.