Megatsunami no Alasca: onda gigante supera prédios icônicos e alerta para riscos climáticos
O Tracy Arm Fjord, um dos destinos mais majestosos do sudeste do Alasca, foi palco de um evento catastrófico que quase passou despercebido pelos olhos humanos. Localizado na Floresta Nacional Tongass, o fiorde é conhecido por seus paredões de granito e geleiras imponentes, mas, em uma manhã de agosto de 2025, a paisagem foi alterada para sempre por um tsunami colossal. Pesquisadores confirmaram recentemente que a onda atingiu impressionantes 481 metros de altura — superando a estatura do Empire State Building. O fenômeno, embora invisível no momento em que ocorreu, deixou cicatrizes profundas na geografia local, arrancando a vegetação das encostas com uma força avassaladora.
A ausência de vítimas foi uma questão de pura coincidência temporal. O desastre ocorreu às 5h30 da manhã, um horário em que navios de cruzeiro e embarcações turísticas ainda não circulavam pela via estreita. De acordo com o geomorfólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, a humanidade teve uma “sorte inacreditável”, visto que o Tracy Arm é um local de grande fluxo turístico. A causa do desastre é atribuída diretamente ao aquecimento global: o recuo das geleiras, provocado pelas altas temperaturas, retirou o suporte natural das montanhas, deixando rochas instáveis e propensas a colapsos massivos.
A reconstrução do desastre
Sem registros em vídeo ou fotos do momento exato, a ciência precisou atuar como uma equipe de perícia internacional. Através de dados de satélite, registros sísmicos e expedições de campo, especialistas da University College London e de outras instituições reconstruíram o evento. O volume de rocha que desabou foi estimado em 64 milhões de metros cúbicos — o equivalente a 24 vezes o tamanho da Grande Pirâmide de Gizé. Esse impacto brutal gerou uma onda sísmica detectada em todo o planeta e criou um fenômeno chamado “seiche”, onde a água oscilou dentro do fiorde por vários dias seguidos.
Cicatrizes na paisagem
A evidência mais clara do poder da água é a “linha de banheira” deixada nos paredões do fiorde. Abaixo dessa marca, a floresta virgem deu lugar à rocha nua, sedimentos e tocos de árvores destruídos, criando um contraste visual chocante entre o que era o fiorde antes e depois do dia 10 de agosto. Embora tsunamis oceânicos causados por terremotos, como os de 2004 e 2011, sejam mais letais e alcancem distâncias maiores, eventos localizados em fiordes podem atingir alturas muito superiores devido ao confinamento do espaço, que comprime o volume de água deslocado.
Apesar da violência do evento, os dados coletados trazem uma perspectiva importante para a segurança futura. A análise retrospectiva mostrou que a montanha emitiu sinais de alerta, com pequenos tremores registrados uma semana antes do colapso final. Para os cientistas, esse padrão de fraturamento oferece uma oportunidade valiosa para o desenvolvimento de sistemas de previsão e alerta precoce. Em um mundo onde o degelo das regiões polares é uma realidade crescente, entender esses “tsunamis de montanha” tornou-se uma prioridade para evitar que a próxima grande onda resulte em uma tragédia humanitária.