Irã volta a fechar Estreito de Ormuz e abre fogo contra navios; Trump avisa: “bombas vão cair sobre o regime”
O cenário geopolítico no Oriente Médio sofreu uma nova reviravolta neste sábado, com o anúncio oficial de Teerã sobre o restabelecimento do controle militar absoluto no Estreito de Ormuz. A decisão anula o compromisso anterior de reabrir a via navegável e condiciona qualquer flexibilização à suspensão total do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Segundo Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central em Khatam al-Anbiya, a medida é uma resposta direta ao que chamou de “pirataria” e descumprimento de promessas por parte de Washington.
A reversão iraniana ocorre poucas horas após o presidente Donald Trump endurecer o discurso durante seu retorno de um comício no Arizona. A bordo do Air Force One, Trump afirmou que manterá o bloqueio e sugeriu a retomada de ataques aéreos caso um novo acordo não seja firmado antes do fim do cessar-fogo, previsto para a próxima semana. Embora tenha demonstrado otimismo sobre a possibilidade de um consenso, o presidente americano foi enfático ao declarar que, sem avanços, “infelizmente teremos que começar a lançar bombas novamente”.
Incidente marítimo e impacto nos mercados globais
A instabilidade na região já apresenta reflexos práticos e perigosos. A organização United Kingdom Maritime Trade Operations (UK MARTO) confirmou ter recebido relatos de um ataque contra um navio-tanque por lanchas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Apesar de não haver registro de feridos, a ação militar reforça o aviso de Teerã sobre a “vigilância estrita” na passagem. O recuo estratégico do Irã frustrou a breve euforia dos mercados financeiros, que haviam reagido positivamente na sexta-feira à notícia inicial de reabertura da via.
O fechamento repentino impactou imediatamente o fluxo logístico internacional. De acordo com informações do The Wall Street Journal, cerca de 20 embarcações que se dirigiam ao Golfo Pérsico foram forçadas a mudar de rota, retornando para a costa de Omã. Relatos de corretores marítimos em Atenas e Singapura indicam uma situação caótica, com armadores chegando a aceitar o pagamento de pedágios exorbitantes — na casa dos milhões de dólares — à Guarda Revolucionária para tentar garantir o trânsito de cargas pela passagem, por onde circula um quinto do petróleo e gás mundial.
Impasse diplomático e crise energética
A crise também expõe fissuras na estratégia econômica dos Estados Unidos. Em uma tentativa de aliviar a escassez de combustível gerada pelo conflito, o Departamento do Tesouro americano estendeu a suspensão de sanções ao petróleo russo, uma medida que havia sido descartada dias antes pelo secretário Scott Bessent. Esse recuo evidencia a pressão sobre o suprimento global de energia enquanto o Estreito de Ormuz permanece como o principal ponto de estrangulamento do comércio internacional.
No campo político iraniano, o tom é de confronto e desafio. Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, utilizou as redes sociais para ironizar a postura ocidental, afirmando que os avisos do Irã foram ignorados. O governo iraniano sustenta que a retomada do controle militar é uma medida de legítima defesa contra as violações americanas, assegurando que o trânsito comercial só será normalizado quando houver garantias de livre navegação para os próprios navios iranianos em seus destinos internacionais.