Pessimismo econômico dispara: percepção de alta nos preços dos alimentos sobe 14 pontos em um mês
A percepção dos brasileiros sobre o cenário econômico apresentou uma deterioração significativa neste mês de abril. De acordo com a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), o sentimento de que a inflação está pesando mais no bolso é compartilhado por mais de 70% da população. O levantamento aponta que a alta no preço dos alimentos e a consequente redução do poder de compra são os principais fatores que alimentam esse descontentamento na transição de março para abril.
A escalada na percepção dos preços dos alimentos
O setor de alimentos é onde o impacto é sentido de forma mais aguda. O índice de entrevistados que notaram um aumento nos preços saltou de 58% em março para 72% no levantamento atual, representando um crescimento de 14 pontos percentuais. Em contrapartida, o grupo que considera que os valores permaneceram estáveis caiu para 18% (uma redução de 6 p.p.), enquanto apenas 8% dos brasileiros perceberam algum recuo nos custos, uma queda acentuada de 8 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Uma fatia de 2% dos participantes não soube opinar sobre o tema.
Inflação oficial confirma o sentimento das famílias
Essa percepção subjetiva encontra respaldo nos indicadores oficiais. Os dados do IBGE, referentes ao IPCA de março e publicados na última sexta-feira (10), mostram que o grupo de alimentação e bebidas subiu 1,56%. Itens essenciais na mesa do brasileiro registraram altas expressivas, como o tomate (20,31%), a cebola (17,25%) e a batata-inglesa (12,17%). Além disso, produtos de consumo diário como o leite longa vida (11,74%) e as carnes (1,73%) também contribuíram para a pressão inflacionária que corrobora o pessimismo captado pela Quaest.
A erosão da renda também é um ponto crítico no relatório. Atualmente, 71% dos brasileiros afirmam que seu poder de compra é menor hoje do que há um ano, um aumento de 7 pontos percentuais comparado à pesquisa de março. O grupo que vê estabilidade na capacidade de consumo recuou para 17% (queda de 4 p.p.), e os que sentem uma melhora e afirmam ter maior poder de compra somam apenas 11% (recuo de 3 p.p.). Apenas 1% não soube responder.
Metodologia do levantamento
A pesquisa Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais com cidadãos de 16 anos ou mais, entre os dias 9 e 13 de abril. O estudo possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%. O levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09285/2026.