Missão Flávio Bolsonaro: o plano para unir Moro e Deltan em ‘chapa da Lava Jato’ no PR

Compartilhe

A filiação do senador Sergio Moro ao PL, confirmada para o próximo dia 24, marca o início de uma complexa manobra política idealizada pelo clã Bolsonaro. Sob orientação direta do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, Moro recebeu a missão de reabrir canais de diálogo com seu antigo aliado, o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo). O objetivo central da cúpula do Partido Liberal é pacificar a relação entre as duas maiores figuras da extinta Operação Lava Jato para estruturar uma chapa imbatível no Paraná nas eleições de 2026.

A estratégia em gestação nos bastidores do PL prevê um arranjo onde Sergio Moro disputaria o governo do estado, tendo Deltan Dallagnol como o principal nome ao Senado. A ideia é evitar a fragmentação do eleitorado de direita e centro-direita, impedindo que ambos concorram pelos mesmos votos em palanques opostos. O desenho da chapa majoritária se completaria com o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), que ocuparia a segunda vaga na disputa pela Câmara Alta, consolidando uma frente conservadora robusta no estado.

Apesar do otimismo no PL, o plano enfrenta barreiras sólidas no atual posicionamento de Deltan Dallagnol. Desde o pleito municipal de 2024, o ex-procurador estreitou laços com o grupo político do governador Ratinho Júnior (PSD), chegando a apoiar candidatos distintos aos de Moro em Curitiba. Esse distanciamento, que começou após a cassação do mandato de Deltan em 2023 — quando aliados do ex-deputado cobraram de Moro uma defesa mais enfática —, colocou os antigos parceiros em órbitas políticas diferentes. Hoje, Ratinho Júnior trata Deltan como uma peça-chave para o Senado em sua própria base, o que o posicionaria como adversário direto do novo projeto de Moro.

Ruptura com o União Brasil e mudança de rumo

A migração de Moro para o PL foi acelerada por um clima de incerteza no União Brasil. O senador enfrentava resistências internas e temia ficar sem legenda para disputar o governo paranaense devido às negociações de federação da sigla com o PP, de Ricardo Barros. Diante da falta de previsibilidade, Moro buscou abrigo no partido de Valdemar Costa Neto. Paralelamente, o PL tentou um acordo com Ratinho Júnior, oferecendo apoio ao governo estadual em troca da desistência das pretensões presidenciais do governador. Com a negativa de Ratinho, o PL decidiu seguir caminho próprio, apostando na liderança de Moro.

O isolamento do PSD e o convite a Cristina Graeml

Com a estratégia de “puro-sangue” em andamento, o PL agora tenta atrair outros nomes de peso para fechar o cerco político no Paraná. Além da ponte com Deltan, Moro deve procurar a jornalista Cristina Graeml para que ela se filie ao partido e atue como puxadora de votos para a Câmara Federal. A avaliação interna é que, se Moro conseguir consolidar essa coalizão, o governador Ratinho Júnior poderá enfrentar um isolamento político, o que talvez o force a rever sua posição e buscar uma reaproximação futura com o grupo liderado pelo senador para não perder protagonismo no estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br