Caminhoneiros articulam greve geral por alta do diesel a partir desta quinta-feira (19)

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A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, alimentada pelos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, já reverbera de forma crítica na logística brasileira. A alta acentuada no preço dos combustíveis acendeu o alerta entre os caminhoneiros, que agora articulam a possibilidade de uma paralisação nacional. O impacto no bolso da categoria é visível na velocidade dos reajustes: em menos de um mês, o preço médio do diesel saltou de R$ 5,50, no fim de fevereiro, para a marca de R$ 6,50 em diversas regiões, acumulando uma variação expressiva de 18,86%.

Diante deste cenário, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) manifestou apoio formal à mobilização. Em nota, a entidade cobra medidas urgentes do Poder Público, destacando que a alta desenfreada corrói diretamente a renda dos transportadores autônomos e das empresas do setor, tornando a operação de frete financeiramente insustentável em muitas rotas.

Resposta do governo e estratégias em pauta

Para tentar conter a crise, o Governo Federal agendou uma reunião decisiva no Ministério dos Transportes para esta quarta-feira (18), às 10h. A expectativa é que o anúncio de medidas mitigadoras ocorra logo após o encontro. Entre as alternativas avaliadas pelo Executivo está a redução temporária do ICMS sobre o diesel, uma pauta que exige articulação direta com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e os governos estaduais.

Além da frente tributária, o governo estuda a ampliação de subsídios ou a criação de mecanismos de compensação financeira. O objetivo é criar um “colchão” que amorteça a volatilidade dos preços internacionais do petróleo no mercado interno, evitando que cada oscilação no Golfo Pérsico seja repassada imediatamente às bombas brasileiras.

O risco de desabastecimento e o fantasma de 2018

A preocupação das autoridades brasileiras não é infundada, dado o histórico de 2018, quando uma greve da categoria paralisou setores vitais da economia e causou desabastecimento generalizado. Como o transporte rodoviário responde por cerca de 60% da movimentação de cargas no país — incluindo itens essenciais como alimentos e medicamentos —, qualquer interrupção no fluxo das estradas tem o potencial de disparar a inflação e travar o consumo interno.

Lideranças do movimento afirmam que, caso as propostas apresentadas pelo governo hoje não sejam consideradas suficientes, a paralisação poderá começar de forma gradual já nesta quinta-feira (19). O clima é de prontidão em diversas regiões do país, e a decisão final da categoria depende exclusivamente do desfecho das negociações em Brasília, enquanto o governo corre contra o tempo para evitar um novo colapso logístico nacional.

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