Irã promete luta prolongada na guerra e ameaça Trump com “eliminação”

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O cenário de tensão no Oriente Médio ganhou novos contornos nesta terça-feira, 10 de março de 2026, após declarações incisivas do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

O chanceler afirmou categoricamente que o país manterá a resistência armada pelo tempo que for necessário, rebatendo diretamente as previsões feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que na véspera havia assegurado um fim “em breve” para as hostilidades.

Reforçando a postura de Teerã, o chefe de segurança Ali Larijani desdenhou das advertências americanas, classificando-as como ameaças vazias e alertando Trump sobre os riscos pessoais de confrontar a nação iraniana.

Impactos econômicos e a volatilidade dos mercados

As falas de Trump chegaram a trazer um breve alívio para a economia global, revertendo quedas nas bolsas de Tóquio e Seul, além de forçar uma baixa de 5% no preço do petróleo após o barril ultrapassar a barreira dos US$ 100. Contudo, o otimismo do presidente americano, que descreveu a campanha militar como uma “excursão de curto prazo”, colide com a realidade no Golfo.

Enquanto Trump ameaça ataques de proporções incalculáveis caso o fluxo de energia seja interrompido, o Irã respondeu com uma nova onda de ataques contra aliados dos EUA na região, mantendo a pressão sobre os preços dos combustíveis e a segurança das rotas marítimas.

A diplomacia entre Teerã e Washington parece ter atingido um ponto de ruptura definitivo. Araghchi descartou qualquer possibilidade de diálogo, citando o que chamou de “experiência amarga” com os americanos. O histórico recente pesa na decisão, já que o conflito de junho de 2025 eclodiu justamente após rodadas de conversas que resultaram em ataques diretos às instalações nucleares iranianas.

Para o comando iraniano, os EUA e Israel falharam na tentativa de promover uma mudança de regime e agora operam sem uma estratégia clara, enquanto o Irã se diz totalmente preparado para sustentar sua ofensiva de mísseis.

O estrangulamento do Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária Islâmica reiterou sua estratégia de bloquear o Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico por onde transita 20% do petróleo mundial. O bloqueio já forçou gigantes como a Saudi Aramco a desviar petroleiros para o Mar Vermelho, operando oleodutos em capacidade máxima para evitar a zona de conflito. Trump, por sua vez, subiu o tom no Truth Social, prometendo uma retaliação “vinte vezes mais forte” caso o fornecimento de energia continue sendo alvo de sabotagem. A Organização Marítima Internacional já registra mortes de marinheiros em navios mercantes, evidenciando o perigo real para o comércio global.

Rejeição ao Cessar-fogo e a exigência de rendição

No campo político, a possibilidade de uma trégua foi publicamente enterrada por ambas as partes. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que o país não busca um cessar-fogo, defendendo que o “agressor” deve ser punido severamente para evitar novos ataques. Em uma resposta direta e agressiva em língua persa, o homólogo israelense, Amir Ohana, afirmou que não existe oferta de paz na mesa, ressaltando que a única proposta aceitável por Israel seria a rendição incondicional do regime iraniano.

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