Flávio Bolsonaro ataca Lula e STF e defende impeachment de ministros no ato “Acorda Brasil”, na Paulista
Em um discurso de forte carga emocional e tom de confronto, o senador Flávio Bolsonaro afirmou, durante o ato “Acorda Brasil” em Brasília, que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, subirá novamente a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027. A declaração ocorre em um momento delicado, uma vez que o ex-mandatário encontra-se detido no Complexo da Papuda após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Vestindo um colete à prova de balas, Flávio discursou por cerca de 17 minutos, apresentando-se como o herdeiro político do movimento e pré-candidato oficial da direita à presidência, em uma fala que mesclou promessas de liberdade a detidos e duras críticas às instituições.
Estratégia legislativa e foco nos presos do 8 de janeiro
Um dos pilares do pronunciamento foi a defesa da derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas. Segundo o parlamentar, esta medida representa o “primeiro passo” para garantir que praticamente todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro possam retornar às suas casas.
Flávio ressaltou que a proposta conta com o aval de seu pai, mesmo que ela não o beneficie diretamente no momento. O senador buscou canalizar a insatisfação dos manifestantes, classificando o atual cenário brasileiro como um período de “perseguição política” marcado por censura em redes sociais, uso da Polícia Federal contra cidadãos e monitoramento por tornozeleiras eletrônicas, afirmando que o silêncio da oposição não é mais uma opção viável.
Pressão pelo impeachment de ministros e críticas ao Governo Lula
O senador também elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal, declarando apoio ao impeachment de magistrados que, em sua visão, descumprem a lei. Embora tenha evitado citar nomes específicos de ministros, ele afirmou que a falta de maioria no Senado é o único obstáculo para o avanço desses processos, acusando integrantes da Corte de “destruírem a democracia a pretexto de defendê-la”.
Em paralelo, Flávio traçou comparativos entre a gestão anterior e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, atacando a política econômica de Fernando Haddad e acusando a atual gestão de gastos excessivos e má administração de recursos públicos, como o desperdício de medicamentos.
Mobilização nacional e ausências de peso no ato
A manifestação, convocada pelo deputado Nikolas Ferreira, teve repercussão em diversas capitais e reuniu outros nomes cotados para a corrida presidencial de 2026, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que estiveram presentes na Avenida Paulista. No entanto, o evento contou com ausências notáveis: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não participou por estar em agenda oficial na Alemanha, sendo representado pelo prefeito Ricardo Nunes.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se ausentou devido à recuperação de uma cirurgia realizada recentemente. Segundo os organizadores, a estrutura do evento foi financiada por meio de uma arrecadação coletiva entre parlamentares, totalizando cerca de R$ 130 mil.