Dois ciclones atuam simultaneamente e ameaçam estados do Brasil com chuvas extremas, alerta meteorologia
O cenário meteorológico brasileiro atravessa um momento de extrema atenção devido à atuação simultânea de dois sistemas de baixa pressão. Segundo a MetSul Meteorologia, essa configuração rara coloca diversas regiões do país em rota de mudanças climáticas severas. Enquanto um ciclone extratropical já estabelecido influencia o Sul, um segundo sistema, com características subtropicais, está em fase de formação e ameaça as regiões Sudeste e Nordeste com precipitações volumosas.
Imagens do satélite GOES-19 confirmaram que, nesta quinta-feira, o primeiro fenômeno já se deslocava pelo Atlântico Sul. Embora sua estrutura esteja distante da costa, sua principal função é o impulsionamento de uma massa de ar frio e seco, que já altera drasticamente o termômetro nas cidades sulistas.
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Simultaneamente, instabilidades detectadas no litoral do Sudeste indicam a gênese do segundo ciclone, cujo maior perigo não reside na intensidade dos ventos, mas sim no potencial hídrico.
Segundo ciclone deve se formar no fim de semana
O Impacto do ar frio na região Sul
O primeiro sistema, classificado como um ciclone extratropical comum para esta época do ano, atua como um motor para uma massa de ar frio de alta pressão. Esse fenômeno já provocou uma queda acentuada nas temperaturas, especialmente no Rio Grande do Sul. O município de Pinheiro Machado registrou a marca de 7,4°C, enquanto diversas outras localidades gaúchas mantiveram médias entre 10°C e 13°C.
A previsão para os próximos dias indica que esse ar seco garantirá noites geladas e madrugadas de temperaturas baixas, especialmente na Serra Gaúcha, devido à baixa umidade. Durante as tardes, no entanto, o sol deve proporcionar um aquecimento moderado, resultando em temperaturas mais agradáveis e um clima típico de transição sazonal, sem riscos de tempestades severas para esta parte do território.
Riscos de Chuvas extremas no Sudeste e Nordeste
A maior preocupação dos meteorologistas recai sobre o segundo sistema em formação. Este ciclone subtropical deve gerar um corredor de umidade vindo da Amazônia, deslocado mais ao Norte do que o padrão habitual.
O Sudeste enfrenta um risco elevado de chuvas intensas, com a sexta-feira sendo apontada como o dia mais crítico. Áreas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo estão em alerta para volumes isolados que podem causar transtornos urbanos imediatos.
No sábado, a concentração de chuva deve se deslocar para o centro-norte mineiro e o território capixaba. Contudo, é na Bahia que o cenário se mostra mais alarmante. A previsão aponta acumulados que podem variar de 100 mm a 400 mm em apenas sete dias. Salvador e sua região metropolitana estão sob aviso de risco geológico crítico, com alta probabilidade de deslizamentos de terra, inundações e bloqueios em rodovias devido ao excesso de água.
Diferenças entre ciclones extratropicais e subtropicais
Para entender a gravidade do evento, é necessário distinguir a natureza desses fenômenos. O ciclone extratropical é considerado comum na costa brasileira; ele se forma em latitudes médias, possui um núcleo frio e está diretamente associado a frentes frias. Sua energia vem do contraste de temperaturas entre massas de ar distintas, sendo um componente frequente da dinâmica climática do Cone Sul.
Por outro lado, sistemas com características subtropicais ou tropicais são atípicos e muito mais perigosos para o litoral brasileiro. Diferente dos extratropicais, eles possuem um núcleo mais aquecido e não dependem necessariamente de frentes frias para se sustentar. A sua ocorrência demanda vigilância redobrada, pois costumam carregar uma carga de umidade muito superior, resultando nos episódios de chuvas extremas e persistentes que agora ameaçam o Nordeste e o Sudeste.