Juiz de Fora sob calamidade: mortos aumentam, dezenas de desaparecidos e cenário de guerra após temporal

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A Zona da Mata mineira enfrenta um cenário devastador em decorrência das tempestades que atingiram a região entre segunda e terça-feira. Juiz de Fora é o município mais castigado, somando 29 mortos e mais de 3 mil desabrigados.

Diante da magnitude do desastre, a prefeitura decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24), suspendendo as aulas em toda a rede municipal e estabelecendo luto oficial de três dias.

Buscas e soterramentos em Juiz de Fora

O trabalho de resgate é intenso e mobiliza diversas forças de segurança. O Corpo de Bombeiros tenta localizar ao menos 36 desaparecidos, enquanto a Defesa Civil já contabiliza mais de 500 ocorrências. A prefeita Margarida Salomão confirmou a ocorrência de pelo menos 20 soterramentos em diferentes pontos da cidade.

No bairro Parque Burnier, o cenário é crítico: 12 casas desabaram e há 20 pessoas desaparecidas, incluindo cinco crianças. Já no bairro Cerâmica, o desabamento de duas residências deixou cinco membros de uma mesma família soterrados. As vítimas fatais, que incluem estudantes e uma professora, residiam em bairros como JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes e Vila Alpina.

Infraestrutura colapsada e recorde histórico

A geografia de Juiz de Fora, marcada por encostas e vales, agravou os efeitos do temporal. Segundo a administração municipal, este já é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados — o dobro da média histórica para o mês. O transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos córregos paralisou o trânsito, forçando o fechamento de pontes e do mergulhão que conecta os bairros ao Centro. O Hospital de Pronto Socorro (HPS) segue como a unidade de referência para o atendimento aos sobreviventes resgatados dos escombros.

Devastação e inundações em Ubá

O município de Ubá também sofre as consequências da maior inundação dos últimos anos. O transbordamento do Ribeirão Ubá na noite de segunda-feira fez com que a Avenida Beira Rio fosse completamente tomada pela água. Até o momento, foram confirmadas sete mortes na cidade e três pessoas permanecem desaparecidas.

Vídeos que circulam nas redes sociais registraram a força da enxurrada no Centro, chegando a carregar caixões de uma funerária local. Em apenas seis horas, a cidade registrou 124 milímetros de chuva, mobilizando equipes da Guarda Municipal e Defesa Civil para o levantamento dos danos.

Ações emergenciais em Matias Barbosa

Em Matias Barbosa, o cenário de inundação levou o prefeito a também decretar estado de calamidade pública. A medida administrativa é estratégica para acelerar o recebimento de recursos federais e garantir assistência imediata às famílias que perderam suas casas.

O Batalhão de Emergências Ambientais, reforçado por militares e cães de busca, atua na região para desobstruir vias e auxiliar moradores que ficaram ilhados em áreas de risco. As autoridades orientam a população a acompanhar as atualizações apenas pelos canais oficiais do governo.

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