Novo pede impeachment de Toffoli por indícios em celular de dono do Master

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O Partido Novo formalizou, nesta quinta-feira (12), um novo pedido de impedimento contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A iniciativa ocorre após relatórios da Polícia Federal (PF) apontarem indícios de uma relação de proximidade entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli é o atual relator do inquérito que apura possíveis fraudes envolvendo o Banco Master, instituição que sofreu liquidação em novembro de 2024.

Além do pedido de impeachment, a legenda acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se manifeste sobre o caso.

Senadores apontam “crise moral” e cobram o Legislativo

Durante coletiva de imprensa no Salão Azul do Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) classificou o episódio como o ápice de uma “crise moral” no país.

Segundo o parlamentar, as revelações sobre o caso Master expõem a necessidade urgente de uma postura ativa do Senado frente a possíveis abusos de poder e suspeições no Judiciário. Girão criticou a inércia da Casa e da PGR, afirmando que o Brasil vive um cenário de insegurança jurídica desde a abertura do inquérito das fake news, iniciado por Toffoli em 2019.

Parlamentares defendem freios e Código de Ética

O movimento conta com o apoio de nomes como os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Cabo Gilberto (PL-PB) e Gustavo Gayer (PL-GO), além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Damares reforçou a tese de que os ministros da Suprema Corte devem estar sujeitos a freios institucionais, defendendo a criação de um Código de Ética para a magistratura — proposta que já vem sendo discutida pelo presidente do STF, Edson Fachin. Os parlamentares também exigem a quebra do sigilo das investigações para garantir transparência sobre o conteúdo extraído dos dispositivos eletrônicos.

Relatório da PF e desdobramentos no STF

A crise ganhou corpo após a PF enviar ao STF um relatório resultante da perícia no celular de Daniel Vorcaro. O documento sugere a suspeição de Toffoli devido ao seu vínculo com o banqueiro. Diante disso, o ministro Edson Fachin instaurou um procedimento interno para avaliar se o colega possui condições de manter a relatoria do caso.

Há uma expectativa crescente dentro da Corte sobre o teor das mensagens encontradas; caso a amizade íntima seja comprovada, a pressão pela saída de Toffoli da relatoria deve aumentar, especialmente pelo fato de o ministro não ter se declarado suspeito voluntariamente.

Suspeitas financeiras e a defesa do ministro

A investigação da Polícia Federal também identificou menções a pagamentos que estariam ligados à venda do resort Tayayá, no Paraná. Uma empresa pertencente aos irmãos de Toffoli detinha participação no empreendimento, que recebeu um investimento de R$ 20 milhões de um fundo ligado ao Banco Master.

Em notas oficiais, Dias Toffoli negou que deixará a relatoria e confirmou ser sócio da Maridt Participações, empresa envolvida na transação. O ministro assegura que sua participação societária é legal, está declarada à Receita Federal e respeita a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a juízes serem acionistas ou quotistas, desde que não exerçam funções de gestão.

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