Irã desafia cerco dos EUA e anuncia manobras com munição real em Ormuz em meio ao agravamento das tensões
Em um cenário de escalada diplomática e militar com Washington, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou nesta quinta-feira (29) que realizará exercícios militares com o uso de munição real. As manobras estão agendadas para a próxima semana e terão como palco o Estreito de Ormuz.
A região é considerada o corredor marítimo mais vital para a economia global, sendo a principal via de escoamento de petróleo para potências como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, além do próprio Irã. Embora a frota específica não tenha sido revelada, o comando militar assegurou que as operações envolverão poder de fogo ativo.
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A Guarda Revolucionária atua como a unidade de elite das Forças Armadas iranianas e possui uma estrutura de comando diferenciada. Diferente das tropas regulares, este braço militar responde diretamente ao Líder Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Na complexa hierarquia política de Teerã, a autoridade de Khamenei sobrepõe-se à do presidente, o que confere a esses exercícios militares um peso político e simbólico de resistência direta às pressões externas.
Ameaças de ofensiva americana
O anúncio iraniano surge como uma resposta imediata à postura do governo de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos tem intensificado ameaças de uma intervenção militar, justificando a possível ação pela suposta lentidão de Teerã em negociar um novo acordo de não proliferação nuclear. Recentemente, Trump afirmou que embarcações de guerra norte-americanas já estão em deslocamento para a região. Somado a isso, fontes ligadas ao governo dos EUA indicaram que ataques aéreos pontuais contra alvos estratégicos e governamentais estão sendo avaliados pela Casa Branca.
Estratégia de pressão e crise interna
De acordo com informações de bastidores, a estratégia de Washington não visaria apenas a infraestrutura militar, mas também a desestabilização política interna. A expectativa de setores do governo americano é que ataques direcionados possam reacender a onda de protestos populares que atingiu o Irã desde dezembro.
O movimento civil perdeu força após uma repressão severa que, segundo organizações não governamentais, resultou em mais de 6 mil mortes. O plano articulado sugere que o vácuo gerado por bombardeios facilitaria a ocupação de prédios públicos por manifestantes, visando a queda do regime teocrático estabelecido no final dos anos 1970.


