Guerra sem trégua: baixas militares russas e ucranianas devem atingir 2 milhões nesta primavera

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O conflito entre Rússia e Ucrânia caminha para um marco sombrio. Segundo levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sediado em Washington, o total de combatentes mortos, feridos ou desaparecidos pode atingir a marca de 2 milhões até a próxima primavera. O relatório aponta que a Rússia já sofreu cerca de 1,2 milhão de baixas, com um número de mortes estimado em 325 mil.

Do lado ucraniano, as perdas somam aproximadamente 600 mil soldados entre óbitos e feridos. Esses dados surgem em um momento de intensificação das tensões no Mar Negro, com a cidade de Odessa sob ataques constantes, reforçando que a ofensiva de Moscou não apresenta sinais de arrefecimento.

Divergências sobre a realidade dos números

A dimensão real do massacre permanece protegida por um rígido sigilo estatal. Desde o início da invasão, nem Moscou nem Kiev divulgaram estatísticas oficiais detalhadas. O Kremlin prontamente desqualificou o relatório do CSIS, classificando-o como “não credível” e reiterando que apenas o seu Ministério da Defesa possui prerrogativa para informar dados militares. Entretanto, o estudo baseia-se em cruzamentos de inteligência ocidental, depoimentos de autoridades ucranianas e monitoramento independente realizado pela BBC e pelo veículo Mediazona, evidenciando um cenário de desgaste humano sem precedentes na história moderna russa.

Contexto histórico e desequilíbrio de forças

Para mensurar a gravidade, as perdas russas na Ucrânia já superam em 17 vezes o que a União Soviética perdeu na guerra do Afeganistão nos anos 80. O volume de baixas é cinco vezes maior do que a soma de todos os conflitos russos e soviéticos desde a Segunda Guerra Mundial. Embora a Rússia sofra cerca de 2,5 vezes mais baixas que a Ucrânia, o impacto é desproporcional. Kiev enfrenta um desafio demográfico severo, com uma população muito menor e maior dificuldade em sustentar mobilizações prolongadas, enquanto o presidente Volodymyr Zelenskyy hesita em reduzir a idade mínima de recrutamento para 25 anos devido à impopularidade da medida.

Moscou tem respondido ao esvaziamento de suas fileiras com incentivos financeiros agressivos e o recrutamento de mercenários estrangeiros vindos da Ásia, África e América do Sul. Apesar do enorme sacrifício humano, os ganhos territoriais são irrisórios. O CSIS indica que o avanço russo médio é de apenas 15 a 70 metros por dia nas áreas de ofensiva — um ritmo mais lento do que quase qualquer campanha militar moderna. Dados do grupo DeepState corroboram essa estagnação, registrando em janeiro de 2026 o ritmo mais lento de captura de território desde o início do ano passado.

Impasse diplomático e perspectivas

No campo diplomático, o cenário permanece congelado. No último final de semana, representantes de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos reuniram-se em Abu Dhabi para as primeiras conversas de paz desde o início da invasão em larga escala. No entanto, o encontro terminou sem avanços significativos. O Kremlin mantém exigências territoriais maximalistas, sinalizando que a guerra de atrito deve continuar a drenar vidas e recursos por tempo indeterminado.

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