No Panamá, Lula condena investidas neocoloniais e o uso da força na América Latina

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Durante a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o cenário de instabilidade na região. Em seu discurso, o mandatário brasileiro denunciou a existência de “intervenções militares ilegais” em solo latino-americano e caribenho, lamentando profundamente a inércia de instituições multilaterais.

Lula direcionou críticas específicas à Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), afirmando que o organismo, embora seja o único a reunir todas as nações do bloco, encontra-se paralisado e incapaz de formalizar uma oposição conjunta a essas ações de força.

O fracasso da força e o fantasma do neocolonialismo

O presidente enfatizou que o uso do poder bélico é ineficaz para solucionar as crises estruturais que assolam o hemisfério. Segundo o petista, a tentativa de dividir o mundo em zonas de influência e a busca predatória por recursos estratégicos representam um “retrocesso histórico” e uma face do neocolonialismo que deveria estar superada.

Lula defendeu que a diplomacia foi preterida pela falta de convicção das lideranças regionais, reiterando que a única “guerra” legítima a ser travada pelo Brasil e seus vizinhos é o combate à fome e às desigualdades sociais.

As declarações de Lula ocorrem no rastro da recente incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro e deixou um saldo de cem mortos — ação que tem sido alvo de constantes críticas do governo brasileiro.

Apesar do atrito direto, o presidente buscou um equilíbrio histórico ao citar a “política de boa vizinhança” de Franklin Roosevelt como um exemplo de momento em que Washington optou pelo diálogo em vez das armas. Essa nuance precede uma agenda sensível: o encontro de Lula com Donald Trump, previsto para março, nos Estados Unidos.

Mediação global e o convite de Donald Trump

A viagem a Washington terá como pano de fundo uma pauta complexa que une economia e geopolítica. Além de discutir a situação venezuelana, Lula e Trump devem debater o conflito na Faixa de Gaza. O brasileiro foi convidado pelo republicano para integrar um Conselho da Paz focado no território palestino, embora a participação oficial do Brasil no colegiado ainda não tenha sido confirmada.

Ao encerrar sua fala no Panamá, Lula reforçou o compromisso do Brasil com a integração regional e o Estado Democrático de Direito como pilares inegociáveis de sua política externa.

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