Em conversa com Trump, Lula discute Venezuela e defende reforma da ONU e assento palestino em Conselho da Paz
Nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram uma conversa telefônica de aproximadamente 50 minutos. O diálogo, descrito pelo Palácio do Planalto como produtivo, serviu para consolidar a reaproximação diplomática entre os dois países.
Um dos pontos centrais foi a celebração da retirada parcial de tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, além da confirmação de que Lula viajará a Washington em fevereiro, logo após seus compromissos oficiais na Índia e na Coreia do Sul.
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A pauta da segurança pública ganhou destaque com a reiteração de uma proposta brasileira enviada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025. Lula defendeu o estreitamento da parceria na repressão ao tráfico de armas e no congelamento de ativos de organizações criminosas.
Segundo a nota oficial, o plano de intercâmbio de dados financeiros para asfixiar o poder econômico de grupos ilícitos foi bem recebido por Trump. Ambos os líderes concordaram que o crescimento econômico simultâneo das duas maiores nações das Américas é um fator de estabilidade para toda a região.
Divergências estratégicas sobre o Conselho da Paz e Reforma da ONU
Embora o clima da conversa tenha sido cordial, pontos de ajuste diplomático foram discutidos, especialmente em relação ao “Conselho da Paz” proposto pelos EUA para mediar conflitos. Lula condicionou a participação do Brasil a um foco específico na Faixa de Gaza, defendendo a inclusão de um assento para a Palestina no órgão. O presidente brasileiro também aproveitou a oportunidade para reforçar sua histórica defesa por uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), visando a ampliação de membros permanentes no Conselho de Segurança para refletir a nova ordem global.
Estabilidade na Venezuela e perspectivas regionais
O cenário político na Venezuela, marcado pela recente captura de Nicolás Maduro, também foi objeto de análise entre os chefes de Estado. Lula enfatizou a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na América do Sul, destacando que o foco deve ser o bem-estar da população venezuelana durante o período de transição.
A conversa encerrou-se com um reconhecimento mútuo do “bom relacionamento construído nos últimos meses”, sinalizando um pragmatismo diplomático entre as gestões de Brasília e Washington.