“O que vemos é autoritarismo”: oposição reage com indignação após envio de Bolsonaro à Papudinha

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) manifestou-se contrariamente à transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como “Papudinha”. O parlamentar defende que a legislação seja rigorosamente aplicada para permitir que seu pai cumpra a pena em regime domiciliar.

Segundo Flávio, a residência particular seria o ambiente adequado para mitigar riscos de novos acidentes, como a queda sofrida recentemente por Bolsonaro na cela da Superintendência da Polícia Federal, enquanto questões médicas crônicas não são resolvidas em definitivo.

Comparação com o caso Fernando Collor e motivações políticas

A defesa do regime domiciliar também foi endossada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que traçou um paralelo entre a situação de seu pai e a do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Eduardo criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que Collor obteve o benefício da prisão domiciliar por questões de saúde menos graves, como a apneia do sono. Para o deputado, a manutenção de Bolsonaro em regime fechado possui um viés político, visando reduzir sua influência nas eleições deste ano e configurando um tratamento desigual perante a lei.

Reação da oposição e denúncias de abuso de poder

A determinação do STF gerou uma onda de indignação entre parlamentares oposicionistas, que classificam a medida como desproporcional e um exemplo de abuso de autoridade. Aliados do ex-presidente sustentam que a transferência para a “Papudinha” ignora direitos fundamentais e representa uma perseguição institucional.

O tom das críticas sugere que o Judiciário estaria extrapolando suas competências constitucionais, agindo com excesso de rigor em um caso que, na visão da oposição, já apresenta justificativas humanitárias e de saúde suficientes para o abrandamento da custódia.

Mobilização internacional e defesa dos Direitos Humanos

A senadora Damares Alves, à frente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, afirmou que o estado de saúde de Bolsonaro, atualmente com 70 anos, exige atenção imediata para evitar sofrimento indevido. A parlamentar informou que o caso foi levado a instâncias internacionais, destacando que a Corte Interamericana de Direitos Humanos teria aceitado uma petição sobre o tema.

Além disso, o senador Eduardo Girão deve viajar aos Estados Unidos para apresentar documentos que, segundo a oposição, comprovam irregularidades no tratamento penal dispensado ao ex-mandatário.

Na Câmara dos Deputados, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, adotou um posicionamento incisivo contra o que chamou de “arbítrio judicial”. Em nota oficial, o parlamentar afirmou que a decisão isolada do STF simboliza uma punição política em detrimento da imparcialidade jurídica.

Cavalcante alertou para os riscos à democracia quando um único poder concentra as funções de acusar, julgar e executar penas, argumentando que a falta de contrapesos institucionais compromete a estabilidade do Estado de Direito no país.

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