Maduro alega inocência nos EUA e escala advogado de Julian Assange para sua defesa
Em uma sessão histórica no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, o líder venezuelano Nicolás Maduro declarou-se formalmente inocente das acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas apresentadas pela justiça dos Estados Unidos.
Durante sua primeira audiência perante o juiz Alvin Hellerstein, Maduro, falando por meio de um intérprete, negou veementemente os crimes imputados. “Sou inocente, não sou culpado, sou um homem decente e ainda sou o presidente do meu país”, afirmou o político, que compareceu à corte vestindo uma camiseta preta e utilizando fones de ouvido para tradução simultânea.
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A defesa de Maduro adotou um tom político logo no início da sessão. Sem algemas, ele alegou ter sido capturado em sua residência, em Caracas, e afirmou ao magistrado que se considera um “prisioneiro de guerra”.
Embora tenha confirmado o conhecimento da acusação, o venezuelano ressaltou que ainda não havia lido o documento em sua totalidade, tendo discutido apenas partes do conteúdo com sua equipe jurídica.
Defesa de alto perfil e estratégia jurídica
Para enfrentar o processo em solo americano, Maduro contratou o renomado advogado criminalista Barry Pollack, sócio do escritório Harris St. Laurent & Wechsler LLP. Pollack é amplamente conhecido por sua atuação em casos internacionais de alta complexidade, tendo liderado por anos a defesa de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em seu embate contra o governo dos EUA. A experiência do advogado também inclui a absolvição de ex-executivos da Enron e a representação de figuras públicas em casos de influência estrangeira.
Ao lado de Maduro, sua esposa, Cilia Flores, também foi formalmente acusada e declarou-se totalmente inocente perante o juiz. Flores conta com a representação de Mark Donnelly, ex-procurador federal com vasta experiência no Departamento de Justiça.
A acusação complementar, detalhada no início de janeiro, sustenta que o casal e outros aliados conspiraram para importar cocaína para os Estados Unidos, utilizando armamentos pesados e dispositivos explosivos para garantir a operação logística do esquema.
Próximos passos e continuidade do processo
A audiência, que durou aproximadamente 30 minutos, serviu para estabelecer os parâmetros iniciais do julgamento e o posicionamento oficial dos réus. De acordo com informações da mídia local, os promotores federais defendem que as acusações de narcoterrorismo justificaram a operação de detenção e transferência de Maduro para Nova York, baseada em decisões tomadas ainda sob a jurisdição do governo americano.
Ao final da sessão, Maduro e Cilia Flores deixaram o tribunal escoltados, após breves interações com seus advogados. Antes de sair da sala, o líder venezuelano chegou a se virar para o público presente na galeria.
O juiz Alvin Hellerstein agendou a continuidade do processo para o dia 17 de março, às 11h, data em que ocorrerá a próxima audiência para discutir o andamento das provas e os trâmites processuais.