Khamenei dá recado duro: EUA podem enfrentar nova onda de ataques se bombardeios se repetirem
Em seus primeiros pronunciamentos públicos desde o cessar-fogo com Israel, o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, ameaçou atacar bases militares americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos realizem futuros ataques contra seu país. Khamenei, que não era visto em público desde o início do conflito em 13 de junho, declarou que o Irã “deu um tapa na cara da América”, referindo-se a um ataque de míssil iraniano que atingiu uma base americana no Catar na segunda-feira, sem causar vítimas.
Em um discurso pré-gravado transmitido pela televisão estatal, o líder iraniano celebrou a “vitória” de seu país sobre Israel e prometeu jamais se render aos EUA. Ele discursou de um local não revelado, similar às suas últimas aparições, com uma bandeira iraniana e um retrato de seu antecessor, Ruhollah Khomeini, ao fundo.
Dirigindo-se ao povo iraniano, Khamenei afirmou que a exigência do presidente dos EUA, Donald Trump, pela rendição incondicional do Irã no início do conflito, revelou as verdadeiras intenções americanas. Ele enfatizou a capacidade do Irã de atingir importantes centros americanos na região, classificando isso como um “incidente grave” que pode se repetir. Segundo Khamenei, os EUA intervieram diretamente na guerra para evitar a destruição completa de Israel, e o Irã saiu vitorioso nesse cenário.
Khamenei minimizou o impacto dos ataques dos EUA às instalações nucleares do Irã, acusando Trump de exagerar os danos para encobrir a verdade. Embora sua interpretação dos eventos seja previsivelmente patriótica, ela também sugere que a liderança iraniana ainda não superou o abalo de sua liderança militar e o inédito ataque aéreo às suas instalações nucleares.
A declaração de Khamenei ocorre em meio a discussões nos EUA sobre a extensão dos danos causados pelos ataques. Na quinta-feira, o Conselho Guardião do Irã, órgão que revisa a legislação, aprovou um projeto de lei que suspende toda a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão inspetor nuclear da ONU. A cooperação só será restaurada mediante notificação ao parlamento pelas autoridades de energia atômica e pelo conselho supremo de segurança nacional, garantindo a segurança e o reconhecimento pacífico das instalações nucleares iranianas.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, expressou disposição para retomar as negociações sobre a cooperação com o Irã em Omã na próxima semana, mas Teerã ainda não confirmou sua presença. As autoridades iranianas precisam de tempo para avaliar se negociarão para manter um direito teórico de enriquecer urânio – já que não há mais capacidade de enriquecimento – ou se as instalações realmente sobreviveram ao ataque conjunto EUA-Israel e poderiam ser reativadas.
Em entrevista à Al Jazeera, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, evitou descrever o estado do programa nuclear do país, mas admitiu que as “instalações nucleares foram severamente danificadas, isso é certo”. Ele também reconheceu um debate em andamento sobre a saída do país do tratado de não proliferação nuclear, visto que ele não forneceu as proteções esperadas. O Irã continua indignado com o fato de poucas nações ocidentais terem condenado o ataque israelense como uma violação do direito internacional.
Em um gesto de boa vontade, Trump anunciou a suspensão de algumas sanções dos EUA para permitir que o Irã aumente as exportações para a China. No entanto, Khamenei não fez referência a um possível reinício das negociações, reiterando que o objetivo de Trump era a rendição do Irã, algo que ele jurou que nunca acontecerá.
Participação francesa na defesa de Israel
O ministro da Defesa da França, Sébastien Lecornu, confirmou ao parlamento francês a participação das forças militares francesas na interceptação de drones lançados pelo Irã em direção a Israel antes do cessar-fogo. Lecornu afirmou que os militares franceses, usando sistemas terra-ar ou caças Rafale, interceptaram menos de 10 drones durante as operações militares iranianas contra Israel. Ele estimou que o Irã lançou aproximadamente 400 mísseis balísticos e 1.000 drones em direção a Israel ao longo de 12 dias.