Zelensky faz apelo direto a Trump enquanto a guerra entra no quinto ano em meio à incerteza de paz
Ao marcar o quarto aniversário da invasão russa em larga escala, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky utilizou a data simbólica para fazer um apelo direto e estratégico ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o líder ucraniano expressou o desejo de receber o republicano em solo ucraniano, defendendo que a compreensão real do conflito só é possível através do contato direto com a realidade e a dor do povo local.
Para Zelensky, uma visita oficial de Trump serviria para dissipar ambiguidades sobre a natureza da agressão russa e evidenciar quem deve ser pressionado para que a paz seja alcançada.
Apesar do ceticismo em relação a alguns mediadores, o governo ucraniano sinaliza que o diálogo diplomático pode ganhar novo fôlego nos próximos dias. Segundo Kyrylo Budanov, chefe do gabinete presidencial, uma nova rodada de negociações entre Kiev e Moscou está prevista para ocorrer entre os dias 26 e 27 de fevereiro. Budanov reconheceu que o processo é árduo, mas afirmou que houve avanços significativos. Segundo o oficial, as partes estão se aproximando de um momento decisivo, no qual as lideranças deverão escolher entre o prolongamento das hostilidades ou a definição de um caminho concreto para o fim do conflito.
O impasse territorial e a personificação da guerra
Apesar do otimismo moderado de Budanov, o cenário de fundo permanece complexo. Enquanto a Rússia mantém a intransigência sobre o controle de regiões como Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, Zelensky personificou a continuidade da guerra na figura de Vladimir Putin.
Em um pronunciamento de 18 minutos realizado em um bunker subterrâneo, o presidente descreveu o homólogo russo como o principal obstáculo para a paz, classificando a Rússia sob o atual comando como um “Estado doente”. Ele reforçou que, após quatro anos, Putin não conseguiu dobrar a resistência ucraniana nem atingir seus objetivos militares primordiais.
Tensões bilaterais e o apoio da coalizão europeia
A relação entre Zelensky e a atual administração da Casa Branca atravessa um período de fricção evidente, marcada por relatos de reuniões tensas no Salão Oval, onde Trump e o vice-presidente JD Vance sugeriram a retirada do suporte militar caso a Ucrânia não cedesse às propostas de paz. Em contrapartida a esse distanciamento, líderes de diversas nações europeias, incluindo os países nórdicos e bálticos, estiveram em Kiev para reafirmar sua solidariedade.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aproveitou a ocasião para garantir o envio de sistemas de defesa aérea e munições, reforçando que o futuro da Ucrânia permanece ancorado na União Europeia e em garantias de segurança robustas.