Ucrânia e Rússia encerram segundo dia de conversas nos Emirados sem avanço sob impasse territorial
As delegações da Ucrânia e da Rússia encerraram, nesta quinta-feira, o segundo dia de uma intensa rodada de negociações mediada pelos Estados Unidos em Abu Dhabi.
Embora o encontro não tenha resultado em um avanço decisivo para o fim das hostilidades no conflito mais sangrento da Europa desde 1945, os dois lados alcançaram um consenso humanitário significativo: a troca recíproca de 157 prisioneiros de guerra de cada lado. O resultado é considerado um êxito concreto em meio ao ceticismo que cerca os esforços diplomáticos.
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Diplomacia sob a sombra da cautela
Apesar do anúncio sobre os prisioneiros, o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, adotou um tom realista ao afirmar que ainda há um longo caminho a percorrer nas próximas semanas. A fala serviu para conter expectativas sobre uma resolução imediata. Ainda assim, o nível de engajamento observado nos Emirados Árabes Unidos foi o mais profundo em meses, marcando uma retomada tímida da diplomacia direta quase quatro anos após o início da invasão russa.
Diferente de rodadas anteriores, onde Moscou enviava representantes de menor escalão, desta vez ambos os lados escalaram altos funcionários militares e de inteligência. As reuniões, que somaram mais de oito horas de discussões técnicas em dois dias, contaram com a participação direta do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Segundo o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov, o formato trilateral foi construtivo, opinião compartilhada pelo representante russo, Kirill Dmitriev, que chegou a mencionar “avanços” nas discussões sobre o cessar-fogo.
O impasse das exigências territoriais
O otimismo diplomático esbarra, no entanto, na rigidez das frentes de batalha e das exigências políticas. O Kremlin mantém sua postura maximalista, exigindo que Kiev ceda a totalidade da região de Donbas, incluindo áreas fortificadas que permanecem sob controle ucraniano. Por outro lado, o governo de Volodymyr Zelenskyy rejeita termos que classifiquem uma retirada unilateral, defendendo que qualquer cessar-fogo deve respeitar a atual linha de frente para não comprometer a defesa nacional.
Inverno e pressão sobre a infraestrutura
Enquanto os diplomatas conversam no calor de Abu Dhabi, o cenário no Leste Europeu é definido pelo frio extremo e pela guerra de atrito. Embora o avanço terrestre russo tenha perdido ímpeto nas últimas semanas devido à resistência ucraniana e às temperaturas negativas, Moscou mantém uma campanha agressiva de ataques contra a rede energética da Ucrânia.
A estratégia, denunciada por Kiev como uma tentativa de quebrar o moral civil através de apagões prolongados, adiciona uma camada de urgência humanitária às mesas de negociação, testando até onde Vladimir Putin está disposto a ceder ou se pretende prolongar o conflito até obter termos mais draconianos.


