Trump recua: “Não tenho mais certeza se quero um acordo”, diz presidente sobre o Irã

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Em uma nova e inesperada guinada na política externa norte-americana, o presidente Donald Trump manifestou ceticismo quanto à viabilidade de um acordo de paz com o Irã. Durante reunião de gabinete realizada nesta quinta-feira (26), o líder dos Estados Unidos afirmou que, embora existam conversas significativas com interlocutores estratégicos, ele não se sente mais convencido da necessidade de firmar um tratado imediato para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. Trump refutou veementemente os relatos da imprensa de que estaria desesperado por um cessar-fogo, enfatizando que as forças militares dos EUA mantêm uma ofensiva diária e possuem alvos adicionais a serem atingidos antes de qualquer conclusão das operações.

O presidente destacou que o poderio bélico iraniano foi severamente afetado pelas ações recentes, descrevendo o cenário militar de Teerã como praticamente dizimado. Segundo a análise da Casa Branca, o Exército dos EUA já cumpriu quase a totalidade de sua missão, restando apenas o controle definitivo sobre o Estreito de Ormuz. Trump alertou que, apesar da superioridade norte-americana, a persistência de uma pequena fração da resistência iraniana ainda representa um risco tecnológico e financeiro, citando a possibilidade de um único míssil disparado contra ativos navais bilionários. Enquanto o secretário de Guerra, Pete Hegseth, mantém um tom diplomático ao declarar que o governo trabalha por um entendimento, o presidente reforça que a pressão militar continuará sendo a prioridade.

Contraproposta e exigências de Teerã

Do outro lado do conflito, o regime iraniano utilizou o governo do Paquistão como mediador para transmitir sua resposta oficial à proposta de paz de 15 pontos elaborada por Washington. Após classificar o plano de Trump como desconectado da realidade, Teerã apresentou uma contraproposta composta por cinco condições fundamentais para o fim da guerra. Entre as exigências iranianas estão a interrupção total das agressões e assassinatos por parte das forças coalizoras, o estabelecimento de garantias de que o conflito não será retomado e o pagamento de reparações pelos danos causados durante o período de combate. O governo iraniano insiste que o fim das hostilidades deve abranger todas as frentes e grupos de resistência regionais, além de reafirmar a soberania total do país sobre o Estreito de Ormuz.

O plano de paz dos EUA e os pontos de atrito

O documento original proposto pelo governo Trump, que serve como base para as negociações em Genebra, foca no desmantelamento das capacidades estratégicas do Irã. O plano exige o compromisso formal de Teerã em abandonar o desenvolvimento de armas nucleares e impõe limites severos ao alcance e à quantidade de mísseis balísticos no arsenal do país. Além disso, os Estados Unidos demandam a desativação de importantes usinas de enriquecimento de urânio, como as de Natanz e Fordow, e o encerramento do suporte financeiro a grupos aliados na região. Em troca do cumprimento desses pontos, o plano norte-americano prevê o alívio das sanções econômicas e a cooperação no setor nuclear civil, embora as divergências sobre a zona marítima livre em Ormuz continuem sendo o principal obstáculo para um consenso.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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