Trump ordena o fechamento do espaço aéreo da Venezuela, elevando tensão a ponto crítico no Caribe
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o “fechamento total” do espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela, dirigindo-se a companhias aéreas, pilotos e traficantes. A declaração foi feita em uma publicação na plataforma Truth Social no último sábado, reiterando a pressão americana sobre o país sul-americano.
A iniciativa de Trump ocorre em um contexto de crescentes preocupações com a segurança na região. Recentemente, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) já havia emitido um alerta para as principais companhias aéreas, citando uma “situação potencialmente perigosa” para sobrevoar a Venezuela devido ao “agravamento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar”. Em resposta a um alerta anterior da FAA, o governo venezuelano revogou os direitos de operação de seis grandes companhias aéreas internacionais que haviam suspendido seus voos para o país.
Expansão da luta antidrogas
Dias antes do anúncio sobre o espaço aéreo, na quinta-feira, Trump já havia sinalizado que as supostas operações americanas de combate ao narcotráfico, que têm a Venezuela como foco principal, seriam expandidas “em breve” para o continente.
O ex-presidente detalhou os esforços: “Nas últimas semanas, os militares têm trabalhado para deter a Venezuela e os narcotraficantes , que são muitos, […] para que não cheguem mais pelo mar.” Ele afirmou que “quase 85% dos carregamentos marítimos” foram interceptados e que a intercepção por terra começará “muito em breve”. Ele finalizou com um aviso: “Já os avisamos: parem de enviar veneno [drogas] para o nosso país.”
Tensão militar e acusações de mudança de regime
A retórica de Trump está ligada a um desdobramento militar contínuo dos EUA. Desde agosto passado, uma força militar significativa tem sido mantida na costa da Venezuela, oficialmente justificada como parte da luta contra as drogas. Posteriormente, Washington anunciou a “Operação Lança do Sul”, visando “eliminar os narcoterroristas” no Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA. Contudo, essa operação incluiu ataques a supostos navios de tráfico que, segundo o texto, resultaram em mortes, mas sem evidências de tráfico de narcóticos.
Os EUA também fizeram acusações “infundadas” contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, alegando que ele lidera um cartel de drogas, e até dobraram a recompensa por sua captura.
Resposta e denúncia de agressão de caracas
As autoridades venezuelanas reagiram às ações americanas com uma mensagem unificada, rejeitando a estrutura de confronto bilateral e denunciando-a como uma “campanha multilateral de agressão”. O presidente Maduro classificou as ações de Washington como uma campanha difamatória para “justificar qualquer coisa” contra a Venezuela. Ele argumentou que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma “mudança de regime” para se apossar da vasta riqueza de petróleo e gás do país.
Em uma mensagem recente, Maduro lembrou que, nas últimas 17 semanas, a Venezuela tem sido vítima de “agressão imperialista” e “guerra psicológica”. No entanto, ele celebrou a construção de um “poder de consciência”, “de vontade” e um “imenso poder político, social e militar” por parte dos venezuelanos, apesar dos ataques.


